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sexta-feira, 8 de abril de 2016

VOZES NA SENZALA - PELO ESPÍRITO JOSÉ DO PATROCÍNIO POR ADEILSON SALLES


VOZES NA SENZALA

A mediunidade não é privilégio de raças e seu grau não se vincula a cor da epiderme.

É recurso misericordioso concedido ao homem para que ele possa ser instrumento das “vozes do céu”.

E é por ela que escrevo, não para verbalizar como outrora meus sentimentos de revolta e descontentamento, pois o tempo e o conhecimento das leis da vida aplacaram minha ignorância.

Testemunhei inúmeras vezes as “vozes do céu” a se manifestarem nos redutos de sofrimento, nas senzalas, onde não existia dignidade humana e o desespero e a dor eram o pão de cada dia.

A escravidão do corpo não impedia que o espírito se libertasse e alçasse voo através das mensagens de esperança.

Nas senzalas, fenômenos mediúnicos aconteciam de maneira farta, pois através da mediunidade, o consolo chegava para aqueles que aguardavam a morte no cativeiro.

A desesperança se abrandava quando incorporações aconteciam e as vozes eram ouvidas cantando a fé em uma vida nova.

Eram parentes que feneceram na senzala e depois de mortos voltavam para falar da continuidade da vida.

Pais desencarnados que pediam coragem aos filhos, guias espirituais que aviavam receitas para minimizar as dores e doenças do corpo.

A revolta e a inconformidade eram aplacadas pelas vozes invisíveis ouvidas na senzala.

Mas existiam noites especiais, onde se testemunhava que “anjos do céu” desciam à Terra, porque mesmo no cativeiro a luz se fazia pelo amor de Deus por seus filhos.

Eram as noites em que vozes de amor entoavam a canção de liberdade ensinada por um Profeta Galileu.

Conta-se que nessas noites um perfume diferente era sentido, que o sofrimento abrandava.

As vozes diziam que o Profeta também foi cativo de uma cruz e que, mesmo inocente, Ele não deixou de abraçá-la para redenção de todos os homens, seja qual for a cor da sua pele.

As vozes ensinavam o perdão, pediam paciência, conclamavam a união.

Não obstante essa consoladora realidade, alguns corações cultivavam a revolta diante da desumanidade com a qual os negros eram tratados.

E a vingança e o crime eram defendidos por muitos.

Percebia-se que as vozes guardavam sintonia com os homens de boa ou má conduta. Fossem eles bons, sintonizavam-se com boas vozes, fossem eles maus, eram instrumentos das vozes revoltosas.

Quantas revoltas e crimes foram evitados pela intercessão dessas vozes que pediam coragem e paciência!

Do lado invisível, forças espirituais se movimentavam, a fim de fortalecer os corações em sofrimento.

O Cativo da cruz ensinara aos homens que a liberdade viria, mas que ela começaria por dentro do coração.

Seu evangelho ensina que cada espírito está atado ao tronco da própria ignorância e da maldade, mas que a caridade traz a libertação, a alforria verdadeira.

Se não houver luz por dentro da alma, não haverá luz na vida.

Fui filho de religioso. Quando encarnado, tive contato com o evangelho e me perguntei muitas vezes: Por onde anda esse tal Jesus, que não vem libertar minha gente?

Durante um tempo acreditei que existissem dois Jesus, um para salvar os brancos e outro para salvar os negros.

Em minhas preces, pedia para que surgisse um Jesus para os negros, não entendia que Ele não era Redentor de corpos, mas de almas.

Naqueles tempos, o que meus olhos viam de dor e sofrimento cegavam minha alma, e repudiei essa brandura e entendi que não seria Ele o Redentor.

Os navios negreiros que aportavam entulhados de escravos diminuíam a minha fé e aumentavam minha revolta.

Seres humanos sendo tratados como animais por causa da cor da sua pele.

Fiz o que pude, mudei de lado, voltei para o outro lado, paguei o preço das minhas escolhas, até que o gosto do sangue em minha boca fez raiar a liberdade para o meu espírito.

Morto fisicamente, meus olhos se abriram para as coisas do espírito.

Em minhas memórias, as invisíveis “vozes da senzala” sempre vão estar presentes, porque encontrei consolo em suas mensagens.

Mensagens que ensinavam que o Redentor estava no mundo, não para nos livrar das lutas do mundo, mas para verdadeiramente libertar todo aquele que crê em Deus e entende que só é livre de verdade aquele que ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Podemos entender a Terra como uma grande senzala, onde todos estamos ainda cativos, mas em dimensões diferentes.

A dor experimentada no cativeiro de carne é que abre os ouvidos humanos para os valores imperecíveis da alma, daí muitos estão se voltando para ouvir e ler as mensagens que chegam da dimensão espiritual.

A mediunidade é neutra, mas o médium é o responsável pela mensagem que transmite, pois deve se sintonizar com as bondosas e invisíveis “vozes na senzala”.

A liberdade na Terra é relativa, pois a medida que amamos nos liberamos, mas quando o ódio e a paixão nos envolvem, os grilhões aumentam e encarcerados ficamos.
           
            
José do Patrocínio pelo médium Adeilson Salles

            
Verão 2016

domingo, 3 de abril de 2016

SERENIDADE - DIVALDO FRANCO


O bom cidadão não pode nem deve abdicar da serenidade em qualquer situação em que se veja colocado. Deixar-se dominar pelas secretas paixões do ego é comportamento perigoso, porque elas enceguecem-no, tiram-lhe o discernimento e precipitam-no a situações embaraçosas. A serenidade demonstra segurança pessoal, consciente de atitude e confiança no bem.
Normalmente, nos momentos de crises, acendem-se incêndios vorazes e labaredas inesperadas quão devoradoras surgem em todo lugar, dificultando o entendimento da ocorrência e precipitando condutas lamentáveis. A verdade é falseada, suposições maleivosas são transformadas em acusações insensatas e o julgamento é sempre infeliz, porque é firmado em ideias preconcebidas.
A crise de qualquer natureza é sempre o clímax de uma questão malcuidada que se vai agravando à medida que não recebe a consideração merecida, até o momento em que já não é mais possível ser postergada. Logo surgem temperamentos exaltados de um lado e do outro, que se desafiam ansiosos por debates inúteis e acusatórios, revelando também os aproveitadores que se escusam de comprometer-se, porque são pusilânimes e desejam sempre lucrar.
A serenidade não anui com o erro nem com os comportamentos ilegais, imorais e agressivos, somente age com equilíbrio, não aumentando a inquietação que se generaliza e quase sempre termina em ações que indignificam os seres humanos. 

Nesses períodos de crises, de incertezas, surgem boatos assustadores, as calúnias são aceitas com exaltação e a justiça mal-aplicada foge aos seus próprios estatutos.
A melhor maneira de comportar-se durante ocorrências dessa natureza é agir-se corretamente, sem os envolvimentos emocionais de ocasião, contribuindo em favor da harmonia de todos. 

Nestes dias nos quais as notícias correm com altíssima velocidade e as condutas de enfermos emocionais se aproveitam para gerar pânico, é necessário vigilância para não se abandonar a serenidade.
Divaldo Franco escreve quinta-feira, quinzenalmente.
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 24-03-2016
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