quinta-feira, 1 de novembro de 2018

PERDA DE PESSOAS AMADAS. Bezerra de Menezes / José Carlos De Lucca.



"Na verdade, nosso ente querido não morreu, apenas regressou às regiões espirituais de onde partiu antes de renascer na Terra."



Ao nos defrontarmos com a morte de um ente amado, é natural que a dor da partida nos envolva com emoções de muita tristeza. Mas é necessário que ajustemos a nossa mente a um raciocínio mais amplo sobre as leis da vida, a fim de que a revolta e o desespero se apartam de nós o mais depressa possível.

Na verdade, nosso ente querido não morreu, apenas regressou às regiões espirituais de onde partiu antes de renascer na Terra. Carecemos de raciocinar espiritualmente, isto quer dizer abortar o pensamento materialista que estreita a nossa vida a limites muito pequenos entre berço e túmulo.

Ora, caríssimos irmãos, porventura Deus edificaria toda a obra maravilhosa do universo, com milhões de estrelas, rios, mares, florestas, para que o homem vivesse tão pouco? Não foram os homens criados para as estrelas, mas as estrelas é que foram concebidas por Deus para o homem. Por que a divindade se esmearia em criar tantas galáxias, numa vastidão tão infinita que o homem ainda não foi capaz de aquilatar a extensão dos mundos, apenas para que a criatura humana vivesse por tão poucos anos? Se Deus é o autor da vida, por que Ele se contentaria com a morte tal como o materialismo a concebe? 

Raciocinemos mais amplamente, filhos. A morte é simples passagem desta realidade terrena para as outras infinitas realidades além da matéria. Comecemos a treinar nossa mente para conceber a vida além da realidade física que nos cerca. Nossos sentidos captam faixas limitadas da vida. Não queiramos pensar que só existe aquilo que vemos. A vida avança muito além daquilo que nossa limitada visão consegue captar. E é além dessa fronteira que nossos entes amados se encontram, refletindo, trabalhando, cooperando conosco, e esperando o dia do grande reencontro. 


Do Livro Recados do Meu Coração , p. 143
Espírito Bezerra de Menezes por José Carlos de Lucca





sexta-feira, 19 de outubro de 2018

4º MOVIMENTO VOCÊ E A PAZ EM SÃO PAULO - Vamos juntos celebrar a paz com Divaldo Franco

Dia 10 de Novembro (sábado), às 17h acontecerá o
4º MOVIMENTO VOCÊ E A PAZ EM SÃO PAULO. 
Vamos juntos celebrar a paz
com Divaldo Franco e convidados.

Local: Auditório Ibirapuera - Oscar Niemeyer
Platéia externa.
Acesso para pedestres Portões 2 e 10.


Venha com uma peça de roupa branca.




quinta-feira, 18 de outubro de 2018

SEPARAÇÕES. Não é o sexo que irá manter o casamento, pois que é parte do relacionamento.




Fundamentamos nossa felicidade nas ações
alheias, com isso, estamos sempre correndo o
risco de nos decepcionarmos. As separações
frustram pelos sonhos acalentados, mas que não
foram vividos. Sofre-se muito pelo que se deixou
de viver e ficou pelo caminho.

O autor

Ninguém se casa para a posterior separação. Masaharu Taniguchi, líder religioso japonês, afirma: Se você quer ser feliz, não se case, mas se você deseja fazer alguém feliz, case-se! A concepção de felicidade para a maioria das pessoas ainda expressa um conceito egoístico, pois todos sempre afirmam: Vou me casar para ser feliz! Quando queremos ser felizes outorgamos à (ao) nossa (o) esposa (o) a responsabilidade por nos fazer feliz, mas quando buscamos dentro da relação fazer o outro feliz passamos a compreender que a ação de amar por si mesma já nos banha em felicidade.

Somos felizes à medida que fazemos o outro feliz. Nesses dias, os casamentos acontecem para uma parcela de pessoas por variadas conveniências, e o amor é deixado de lado, pois se confunde com interesses.

Mas, toda relação que termina em sofrimento sempre atinge o lado mais sensível, e infelizmente algumas pessoas chegam a entrar em profunda depressão.

Mesmo que a separação seja consensual, existe uma carga psicológica negativa a ser absorvida pelas pessoas no momento do rompimento definitivo. E são muitos os casos de transtornos emocionais e crises de pânico em que a pessoa enferma não consegue lidar com o fim do relacionamento.

Outro dia ouvi a seguinte frase do grande escritor e pedagogo Ruben Alves:

Quando conhecemos alguém e decidimos partilhar a vida com a pessoa eleita, devemos nos indagar: Será que eu terei prazer em conversar com ela(e) até o fim dos meus dias?

Os relacionamentos devem ter por base o diálogo, porque não existe nada mais especial do que se conversar com quem se ama. Não é o sexo que irá manter um casamento, pois que é parte do relacionamento, mas a estrutura de uma relação que consiste no diálogo.

Nada nem ninguém nos pertence aqui na Terra.

O importante é agirmos sempre com a honestidade que nos garantirá harmonia e serenidade.

Se a separação ocorreu por traição ou outra atitude infantil, o importante é que tenhamos feito o nosso melhor, que não sejamos nós os que enganam e iludem, pois somos responsáveis por tudo que cativamos, de bom e de ruim na vida das pessoas.

Em caso de rompimento, é natural experimentar a tristeza e certa frustração, mas não se esqueça que relacionamentos são feitos por duas pessoas, e cada uma tem sua parcela de responsabilidade pelo êxito ou pelo equívoco. Evite alimentar a tristeza, pois amargura intensamente cultivada é prenúncio de enfermidade emocional à espreita. 


“O que é o amor?”

Numa sala de aula, havia várias crianças. Quando uma delas perguntou à professora: – Professora, o que é o amor?

A professora sentiu que a criança merecia uma resposta à altura da pergunta inteligente que fizera. Como já estava na hora do recreio, pediu para que cada aluno desse uma volta pelo pátio da escola e trouxesse o que mais despertasse nele o sentimento de amor.

As crianças saíram apressadas e, ao voltarem, a professora disse:
– Quero que cada um mostre o que trouxe consigo.

A primeira criança disse: – Eu trouxe esta flor, não é linda?

A segunda criança falou: – Eu trouxe esta borboleta. Veja o colorido de suas asas, vou colocá-la em minha coleção.

A terceira criança completou: – Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho junto com outro irmão. Não é uma gracinha?

E assim as crianças foram se colocando. Terminada a exposição, a professora notou que havia uma criança que tinha ficado quieta o tempo todo. Ela estava vermelha de vergonha, pois nada havia trazido.
A professora se dirigiu a ela e perguntou: – Meu bem, por que você nada trouxe?
E a criança timidamente respondeu:
– Desculpe, professora. Vi a flor e senti o seu perfume. Pensei em arrancá-la, mas preferi deixá-la para que seu perfume exalasse por mais tempo.

– Vi também a borboleta, leve, colorida. Ela parecia tão feliz que não tive coragem de aprisioná-la.

– Vi também o passarinho caído entre as folhas, mas, ao subir na árvore, notei o olhar triste de sua mãe e preferi devolvê-lo ao ninho.
– Portanto, professora, trago comigo o perfume da flor, a sensação de liberdade da borboleta e a gratidão que senti nos olhos da mãe do passarinho.
– Como posso mostrar o que trouxe?
A professora agradeceu a criança e lhe deu nota máxima, pois ela fora a única que percebera que só
podemos trazer o amor no coração.
“Histórias para sua Criança Interior” (Eliane de Araújo)

Texto do livro "INIMIGO ÍNTIMO" do autor Adeilson Salles.

 Inimigo ìntimo

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A Vida Continua - Zibia Gasparetto

A vida precisa ser renovada. A morte é a mudança que estabelece a renovação. Quando alguém parte, muitas coisas se modificam na estrutura dos que ficam e, sendo uma lei natural, ela é sempre um bem, muito embora as pessoas não queiram aceitar isso. Nada é mais inútil e machuca mais do que a revolta. Lembre-se de que nós não temos nenhum poder sobre a vida ou a morte. Ela é irremediável.
O inconformismo, a lamentação, a evocação reiterada de quem se foi, a tristeza e a dor podem alcançar a alma de quem partiu e dificultar-lhe a adaptação na nova vida. Ele também sente a sensação da perda, a necessidade de seguir adiante, mas não consegue devido aos pensamentos dos que ficaram, a sua tristeza e a sua dor.
Se ele não consegue vencer esse momento difícil, volta ao lar que deixou e fica ali, misturando as lágrimas, sem forças para seguir adiante, numa simbiose que aumenta a infelicidade de todos.
Pense nisso. Por mais que esteja sofrendo a separação, se alguém que você ama já partiu, libere-o agora. Recolha-se a um lugar tranqüilo, visualize essa pessoa em sua frente, abrace-a, diga-lhe tudo que seu coração sente. Fale do quanto a ama e do bem que lhe deseja. Despeça-se dela com alegria, e quando recorda-la, veja-a feliz e refeita.
A morte não é o fim. A separação é temporária. Deixe-a seguir adiante e permita-se viver em paz.

"A morte é só uma mudança de estado.
Depois dela, passamos a viver em outra dimensão"

Zibia Gasparetto


sexta-feira, 28 de setembro de 2018

ELES ESTÃO ENTRE NÓS. Estamos preparados para receber uma nova ordem de humanos?




Eles já estão entre nós.  
Estamos preparados para receber uma nova ordem de humanos?

                                                 A época atual é de transição; confundem-se os     elementos das duas gerações – A Gênese Cap. XVIII -28.

Alguns jovens estão batendo nas nossas  portas. Estão em silêncio, no fundo da sala das reuniões públicas ou vagando curiosos nas nossas livrarias, de prateleira em prateleira. Observam-nos atentamente.  Muitos deles chegaram aos nossos centros após serem impactados por algum conteúdo espírita nas redes sociais. Outros, seguiram os passos de familiares ou sofreram alguma desilusão da vida e agora estão em busca de esperanças e consolações, exatamente como aconteceu conosco no passado.

Esses jovens foram atraídos pela força inexorável dos compromissos reencarnatórios. Eles já estão entre nós.

Na revista espírita de abril de 1866, por meio dos médiuns Srs. M e T, em sonambulismo, os espíritos nos alertaram que “os tempos estão chegados”. Falaram que a humanidade chegou a um de seus períodos de transformação e que a Terra vai elevar-se na hierarquia dos mundos.

A humanidade tornou-se adulta. Já conquistamos inúmeros recursos cognitivos e dominamos significantemente a ciência. Neste momento, estamos vivenciando o início de uma grande revolução tecnológica, no qual os dados e a inteligência artificial vão revolucionar as estruturas das organizações , afetando significativamente a forma como a humanidade se relaciona 
entre si.

Com a chegada dessas novas possibilidades, provenientes do domínio dos dados e o uso dessas informações extraídas do chamado big data(1), abrem-se as portas de novas necessidades para o ser humano. Faz-se necessário o desenvolvimento das habilidades emocionais e espirituais, essenciais para liderar essa nova fase, de maneira sábia e responsável. Elementos importantes para o protagonismo, diante da configuração dessas máquinas e robôs, para que sirvam ao bem comum do mundo.

Nessa fase adulta, na qual o intelecto já está desenvolvido e endereçado, abre-se espaço para o foco no amadurecimento moral e comportamental.

No meu livro novo, Empatia: por que as pessoas empáticas serão os futuros líderes do mundo, publicado este ano pela editora Letramais, alertamos para que o foco da educação, seja nas escolas ou nas famílias, contemple o fortalecimento das habilidades socioemocionais. No momento em que a tecnologia parece nos distrair com excesso de informações e conteúdo, a capacidade de discernir o que é relevante ou não, para nós e para o outro, agindo de forma empática, será uma das principais fortalezas da humanidade.

O fortalecimento dos chamados soft skills(2) é essencial para a consolidação de um novo ciclo, a nova era. Pesquisadores ao redor do mundo, demonstraram que se faz necessário descentralizar a responsabilidade e a urgência do entendimento dos temas relacionados ao trato humano; retirando a exclusividade das congregações religiosas e discussões filosóficas sofisticadas.

Essa convergência entre ciência e religião é mais um sinal de que o mundo de regeneração está chegando.

Para a concretização dessa nova etapa, milhares de seres de uma nova ordem espiritual estão reencarnando no mundo, com o objetivo de nos auxiliar nessa grande transição. Espíritos nobres, que se aliarão conosco, na preparação do mundo de regeneração. Já estamos recebendo essa nova categoria de espíritos, provenientes de sistemas e regiões mais evoluídas, para acelerar a evolução do nosso planeta.

Ao longo desse processo, anunciado pelos espíritos que coordenaram a codificação espírita, fica uma indagação: será que estamos preparados para receber esses novos colaboradores, nas nossas instituições? Será que estamos atentos e vigilantes para que eles não passem despercebidos aos nossos olhos desatentos?

 Já há algum tempo, o mundo inteiro vem falando o quanto as outras gerações se assustam com a Geração Y- jovens nascidos pouco depois dos anos 80 até o ano 2000 - os chamados Millennials desafiaram o nosso tempo com suas transformações comportamentais e provocações sociais. 

Esses jovens passam o dia inteiro interagindo, quase o tempo todo apenas pela tela de seus celulares. São ansiosos, autoconfiantes e não se encaixam facilmente em hierarquias. Contudo, são mais preparados para lidar com as diversidades e se preocupam com o meio ambiente como nunca nos preocupamos antes na história da humanidade.

Os Millennials são menos propensos a se vincular a uma instituição religiosa. Acreditam que a religiosidade é mais importante do que a religião, exatamente como nos ensinaram os espíritos há várias gerações atrás. Essa característica é suficiente para demonstrar a sinergia entre eles e a perspectiva religiosa da Doutrina Espírita, que ressignificou o culto religioso, trazendo-o para dentro do coração. Afastando-o das formas exteriores e resgatando a característica singular que Jesus trouxe à relação com o Criador.

Provavelmente, essa é uma das gerações que veio nos preparar para as novas fases que estão na iminência de se apresentar ao mundo: épocas caracterizadas pela dominância da tecnologia em quase todas as frentes da organização humana.

Só que não parou por aí. Depois deles já chegou a Geração Z, que já nasceu submetida às novas tecnologias e formas de interação, entre 1994 e 2010, os primeiros nativos digitais. Essa nova geração, não se conforma em ser passiva e tem profundo interesse em produzir e consumir o seu próprio conteúdo.  Quem nunca ouviu falar dos youtubers, que desafiam a audiência de grandes emissoras e celebridades da televisão? Enquanto nós sonhávamos com a facilidade de ter tudo pronto e disponível nas nossas casas para economizar tempo, eles são encantados com a possibilidade de fabricar e customizar o que consomem.

Segundo alguns amigos de Chico Xavier, Emmanuel teria reencarnado no Brasil por volta do ano 2000. Uma provocação que precisamos nos fazer nesse momento é: seríamos capazes de reconhecer Emmanuel, hoje um jovem de aproximadamente 18 anos, se ele chegasse em nossas casas, com fones de ouvido e smartphone na mão, nos “desafiando” a construir um novo conteúdo ou uma nova plataforma digital para o movimento espírita? Ele teria espaço para nos ajudar a redesenhar a dinâmica de nossos estudos doutrinários longos e tradicionais? Será que esperamos que ele, ou algum espírito da mesma ordem de grandeza, cheguem às nossas casas apenas na meia-idade, empunhando pergaminhos e vestidos com o figurino do romance Há dois Mil anos? Receberíamos com alegria as suas sugestões e ideias, nos tornando responsáveis por conduzir e ajudar a desenvolver tamanho potencial espiritual, ou faríamos com que ele desistisse de nós e procurasse outra casa? Lideraríamos oportunidades para que eles desenvolvessem suas habilidades mediúnicas e doutrinárias ou transformaríamos esse processo numa prática de resiliência e paciência?

Emmanuel, se você está lendo esse artigo aqui no blog da Intelítera, por favor, não desista da gente. Nós estamos nos preparando e lutando contra os desafios das transformações de nossa época. Foi mal, Mano! 😊

Se você for um jovem espírita e estiver de alguma forma triste com a gente: persista. A Doutrina Espírita é o Consolador prometido por Jesus. Precisamos de você para  executarmos juntos a transição planetária. Será uma alegria me conectar com você também: meu instagram é @jaimeribeiro.

Eu, particularmente tive muita sorte. Quando era um jovem - da Geração X- no movimento espírita, em Pernambuco, encontrei mentores e orientadores na Sociedade Espírita Bezerra de Menezes. O mais importante foi Luiz Mário, hoje já no plano espiritual, que silenciosamente me incentivou aos estudos da codificação e me engajou ao trabalho doutrinário e social. Uso a palavra sorte, porque ouvimos muitos os relatos de jovens que se desapontam ao tentar desenvolver alguma atividade em instituições Brasil afora, alguns se mantém firmes à Doutrina, outros se desapontam e retardam a tarefa. Diferente do que pensamos, a culpa não é deles. A tarefa de integrá-los e desenvolvê-los, é nossa.

Provavelmente ainda estamos presos à forma como fomos engajados ao espiritismo no passado, o que nos leva a acreditar que as novas gerações devem se adequar ao formato que acreditamos ser o melhor.  Para nós, se eles não entendem, é um indício de que não estão efetivamente comprometidos ou preparados para servir a Jesus.

Estamos tão enganados como os pais que tentam fazer os filhos se interessarem por atividades, jogos, músicas, danças e filmes que gostavam na sua época de juventude. Alguns jovens podem até achar legal conhecer os gostos dos pais, mas, em alguns momentos, pode parecer bem estranho para eles.

Desde a época do surgimento dos primeiros Millennials, estamos quebrando a cabeça para entender porque nossos centros e nossos eventos estão com pouca participação do público jovem.
Quando assumimos que eles já não têm interesse por questões espirituais como nós tínhamos, estamos repetindo o mesmo comportamento que nossos pais tiveram no passado, quando apontaram que a nossa geração, já não cultivava valores morais nobres como a deles. Assim como nossos pais estavam exagerando na análise dos conflitos de gerações, nós também estamos, quando realizamos esse confortável julgamento.

Allan Kardec apontou que  a nova geração se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior” (A Gênese Cap. XVIII -28 fonte Kardecpedia).

Ao longo dos últimos anos, nos ocupamos em buscar atividades para encantá-los.  Promovemos corais, brincadeiras, salas coloridas e outras atividades, numa tentativa bem-intencionada de adivinhar quais os seus objetos de interesse. Tomamos essas nobres iniciativas, desavisados do fato que essa geração gosta de criar suas próprias dinâmicas, cabendo a nós o dever de apoiar e amparar.

Muitas vezes, desejamos que eles assumam compromissos com o trabalho do bem sem entendermos a melhor forma de promover essa nova rotina. Repetimos “disciplina, disciplina e disciplina” para eles, mas o que vai fazer com que se engajem no trabalho e se adequem á disciplina do serviço do bem, é o propósito claro e a alegria da liberdade em servir. Para eles, o compromisso vem depois do engajamento. Nós queremos que seja o inverso.

Infelizmente estamos enganados. Essas novas gerações não vão se comprometer com alguma atividade só porque falamos que é bom e necessário. Os bônus horas, para eles, são os bitcoins(3) espirituais que estão dispostos a acumular, mas precisam que deixemos claro, de forma racional, os benefícios do serviço no campo do bem. 

Dessa forma, as instituições filantrópicas também precisam se desafiar a avaliar novos modelos de voluntariado. Preparando-se para receber a cota de dedicação, mais ou menos generosas, que cada um deles tem para oferecer nesse momento da vida.

Diferente do que a maioria de nós imagina, essa forma de eles se envolverem não é um problema. A fração de trabalho, ou o nível de engajamento que cada um pode dar, serão sempre bem-vindos no campo do trabalho do Cristo. Se o jovem só pode vir duas vezes ao mês ao trabalho no orfanato do centro, não é porque seja menos compromissado com a sociedade do que o voluntário de meia-idade que vai toda semana fazer a mesma tarefa.  Ele apenas pode ter outras tarefas para cumprir, como estudar, estar com os amigos, praticar esportes, viajar com a família ou simplesmente ser jovem. Precisamos compreender essa nova dinâmica social.

É verdade que os  jovens são chamados “trouble makers” (criadores de problemas), mas é exatamente essa que é a nossa necessidade, em especial nas casas espíritas. Isso é uma boa notícia para a nossa evolução. Para não nos tornarmos obsoletos no nosso próprio mundo e na nossa própria época. Precisamos de maturidade espiritual para aproveitar todos esses “problemas”  apresentados e trazidos para nossa zona de conforto, para garantirmos a continuidade do movimento espírita, por meio da modernização das práticas sociais e consolidação inovações nos modelos pedagógicos de estudos doutrinários.

Lembremos que Jesus também foi considerado pela sociedade de sua época, um criador de problemas. Nosso Mestre curava aos sábados e se hospedava na casa de cobradores de impostos, o que já era mais do que suficiente para escandalizar os sacerdotes e religiosos. Giordano Bruno foi considerado “trouble maker” porque discordou da Igreja e falou que a Terra não era o centro do universo. Kardec também foi um “trouble maker” para os espiritualistas americanos, quando a Doutrina Espírita apresentou a reencarnação e a igualdade entre senhores e escravos, perante as leis de Deus.

Os trouble makers são necessários para a evolução do mundo e da sociedade. Sem a provocação bondosa e fraterna, não há ruptura e avanço espiritual.

Por isso, precisamos estar atentos para não falharmos como líderes nesse processo de aceleração da Nova Era, como falei no meu último artigo aqui no blog. Em especial aqueles que são dirigentes das casas espíritas, têm o compromisso de preparar os sucessores para continuarem a missão de alavancar o progresso do nosso mundo. Não daqui a 20 anos: AGORA!

 Como falou o codificador: sabemos que o Espiritismo é o caminho que conduz à renovação, porque acaba com os dois maiores obstáculos que a ela se opõem: a incredulidade e o fanatismo.

Ultimamente, temos visto empresas, escolas, universidades e grandes instituições, se movimentando e se adaptando para atrair talentos dessas novas gerações, com o objetivo de garantir a continuidade de seus produtos e serviços. Essas organizações estão em busca de se conectar ao mundo atual e se preocupam em não perder a própria relevância.  Nós precisamos seguir o exemplo deles e fazer o mesmo em nossas instituições e eventos doutrinários.

Se eu pudesse, humildemente, apontar uma tarefa como a mais importante para que o movimento espírita eleja como foco para os próximos cinco ou dez anos, eu resumiria no esforço para responder sim para a pergunta que eu faço novamente:
Estamos preparados para receber o jovem Emmanuel reencarnado, com seu smartphone na mão e querendo modernizar o youtube do nosso centro?

Ao fazer essa pergunta novamente, acredito que oficialmente entramos na lista dos trouble makers. Contudo, tenho certeza que após uma breve reflexão coletiva,  seremos absolvidos e chamados também de  “problem solvers”**.

                                                      
(1) Big data é um termo que descreve o grande volume de dados — tanto estruturados quanto não-estruturados — que sobrecarrega as empresas diariamente
(2) habilidades ou capacidades relacionadas com a inteligência   emocional, com as habilidades mentais de cada pessoa.
(3) são moedas virtuais modernas.
(4) Tradução livre: resolvedores de problemas

Jaime Ribeiro 23/09/2018.






     Jaime Ribeiro é natural de  Recife. Espírita desde a adolescência,  é autor e palestrante. Trabalha como executivo da área de educação. É engenheiro químico formado pela Universidade Católica de Pernambuco e pós-graduado em marketing pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Escreveu Dora, seu primeiro livro infantil, que aborda as habilidades socioemocionais para as crianças, usando a adoção animal como instrumento. Também é autor do livro Empatia – Por que as pessoas empáticas serão os futuros líderes do mundo? Que aponta a empatia como a habilidade que será mais valorizada pela sociedade, em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia e com maior fragilidade de laços entre as pessoas.





sexta-feira, 14 de setembro de 2018

OS CATALISADORES DA NOVA ERA



OS CATALISADORES DA NOVA ERA

Segundo o Espírito Emmanuel, no livro A Caminho da Luz, a comunidade de espíritos puros a que pertence Jesus, se reuniu nas proximidades da Terra apenas duas vezes. Na primeira vez, na ocasião da formação do orbe, quando a Terra se desprendia da nebulosa solar; na segunda vez, quando se decidiu a vinda do Cristo à Terra, certamente para organizar e planejar a chegada do Mestre.

Não é novidade para ninguém que Jesus inaugurou um ponto de transição que provocou a aceleração moral no mundo. 

O nascimento do Cristo  marcou o início de uma nova fase para a humanidade.

Com a sua chegada, o homem teve acesso a um novo código moral, diferente do que se pregava até então. Conheceu uma nova prática religiosa, diferente daquela que era vinculada apenas aos cultos nos templos. Jesus nos apresentou a religião que se cultuava dentro do coração.

Até a época do Cristo, a humanidade precisava de códigos civis duros, para manter a ordem social. Estes, por sua vez, precisavam estar fundamentados numa base religiosa rígida, que apresentava uma divindade punitiva e censora, para endossar os líderes populares e manter os costumes dos povos da época.

A forma como o Deus da antiguidade era apresentado, duro e sem admitir erros ou pecados contra os seus mandamentos, era necessária em um mundo segmentado e igualmente cruel.

Segundo os registros bíblicos, essa crença existe desde a desobediência de Adão no paraíso, há mais de quatro mil anos.

Atualmente, a ciência já descobriu que os homens habitam a Terra há pelo menos 200 mil anos. Bem antes da cronologia apresentada no velho testamento.

Isso nos leva a entender que se passaram aproximadamente, 198 mil anos até a chegada do Cristo aqui na Terra.

Certamente, não há qualquer exagero em dizer que, apenas nesses dois mil anos, a humanidade evoluiu moralmente mais do que em todos os outros dois mil séculos da existência humana. 

Dessa forma, cada ano de conhecimento e reflexão moral da Era Cristã, pode ter representado um avanço de um século, quando comparado a todo o período que a humanidade esperou para conhecer a mensagem de Jesus.

O Cristo trouxe uma ruptura aos costumes de seu tempo. Apresentou ao mundo a lei de perdão aos pecados e destruiu a discriminação vigente na época. 

A expressão simplificada do que Jesus representava, foi contada no Evangelho de Lucas. Quando se hospedou na casa de Zaqueu, um publicano cobrador de impostos, ele foi criticado por todos porque escolheu ficar na casa de um pecador, contrariando as leis e os costumes.

Ali, na casa do chefe dos cobradores de impostos, Jesus exemplificou que a sua palavra não era para encher os religiosos de belas doutrinas, muito menos apenas para motivar aqueles que já tinham entendido a  natureza da sua mensagem.

Ele poderia ter se hospedado na casa de um seguidor, ou de algum simpatizante, mas mostrou com aquele ato que o Evangelho é para quem precisa e para quem acredita que merece as bênçãos da vida. Subindo na árvore para ver Jesus, Zaqueu mostrou atitude. 

A inauguração dessa Nova Era da humanidade foi o ponto de partida para a transição do planeta, para mundo de regeneração. 

Foi o alerta de que deveríamos fazer o bem, não porque precisávamos seguir corretamente as regras para não sermos punidos, mas porque se tratava de uma lei natural do criador, nosso pai de amor e bondade.

Saímos lentamente de uma sociedade controlada pela necessidade de seguir ordens rígidas para iniciamos uma época de lucidez, na qual fazer ao outro aquilo que desejamos que nos façam, foi um passo além da regra de ouro, que dizia para não fazer ao outro aquilo que não desejamos que nos façam.

Pouco importa os enganos e desvios que a mensagem do Cristo sofreu ao longo do caminho. Afinal, no Evangelho de João (14: 25 e 26), ele prometeu o Consolador, que viria nos ensinar o que ele não ensinou e viria relembrar tudo que ele nos dissera.

Em 1857, com a publicação do Livro dos Espíritos, inaugurou-se mais um novo ciclo rumo à transição planetária. 

Com a chegada do consolador prometido, reunindo os trabalhadores da última hora sob sua égide, a mensagem de Jesus foi resgatada em sua pureza. Após a retirada de todas as alegorias, dogmas e distorções históricas, a Doutrina Espírita se deteve principalmente no estudo e interpretação dos ensinamentos morais do Cristo. Esses permaneceram inalterados ao longo do tempo e constituem o maior legado que o nosso Mestre nos deixou, que são as lições para nos tornarmos pessoas melhores.

A Doutrina Espírita existe há pouco mais de 160 anos. Ao longo desse curto espaço de tempo, nos revelou coisas extraordinárias sobre a nossa natureza espiritual e nos apresentou o resgate da mensagem do cristianismo primitivo, cultivando a caridade como a verdadeira base da religião cristã.

O homem levou aproximadamente 500 mil anos para evoluir naturalmente da condição rústica de homo erectus para homo sapiens. Essa mudança biológica se deu lentamente, ao longo do tempo, por meio de algumas alterações genéticas.

A evolução moral da humanidade também se deu lentamente, acompanhando, de alguma forma, as evoluções biológicas e sociais. 

Levamos quase 200 mil anos migrando de formas religiosas primitivas até que o mundo estivesse maduro para receber a mensagem do Cristo e inaugurasse um novo conceito de relação com a divindade. 

Em apenas dois mil anos, Jesus conseguiu transformar todo o código moral da humanidade e separar a nossa história cronológica e espiritual em duas grandes fazes: antes e depois do Cristo. 

Quase dois mil anos depois a Doutrina Espírita surgiu  para catalisar o processo de transição para o mundo de regeneração e continuar o trabalho iniciado pelo Mestre. 

Os espíritas, os chamados trabalhadores da última hora, ocupam importante posição nesse processo de aceleração da mudança do planeta.

Jesus não pode esperar mais. Já tivemos alguns percalços no caminho, mas chegou a hora de levar a influência do Cristo para todas as instituições humanas. 

A humanidade já tem os conhecimentos morais, biológicos e psicológicos, necessários. Diferente das outras épocas, já sabemos o que temos que fazer.

Não temos mais o direito, perante os planos da divindade, de esperar pacientemente mais milhares de anos, para que as mudanças aconteçam.

Precisamos impactar as pessoas com o testemunho do exemplo. Levar a palavra de Jesus para todo o mundo, mas, acima de tudo, devemos ter o comprometimento de fortalecer as nossas próprias zonas de convivência humana.

Só assim que a Doutrina seguirá sua marcha na velocidade planejada pelos governadores espirituais do nosso planeta.

Para isso, os centros espíritas precisam estar preparados. Necessitam estar inseridos no nosso tempo, para que aqueles que chegam pela dor ou pela curiosidade, assim como outrora, encontrem as cadeiras ocupadas por homens de bem, que, somados a muito amor no coração, estejam conectados com os conhecimentos atuais e as transformações do mundo.

Essa é uma necessidade essencial para que o movimento espírita se fortaleça. Para que os simpatizantes e trabalhadores do Espiritismo, se sintam abraçados e integrados, o mais breve possível, ao dever com Jesus. Em especial os jovens das novas gerações, que precisam encontrar um ambiente familiar e propício ao desenvolvimento espiritual. 

As instituições que ficaram no passado e não se dedicaram a acompanhar a evolução social e pedagógica, como Kardec prometera que a doutrina faria, não serão capazes de despertar o interesse e permanência de espíritos de uma nova ordem evolutiva, que estão encarnando no planeta há alguns anos.

O Cristo tem pressa. 
Sem dúvida, a maior alavanca de transformação do mundo é o amor e a dedicação ao outro. Contudo, assim como os livros foram essenciais para a divulgação do propósito do cristianismo e depois do Espiritismo, temos a obrigação de utilizarmos as ferramentas disponíveis atualmente, para ampliarmos a velocidade da multiplicação da Boa Nova.

Não há mais tempo para tantos enganos. Não podemos permanecer apenas na limitação de práticas passadas e excluir a tecnologia, a chamada revolução digital, de dentro das nossas atividades doutrinárias de divulgação. 

A Doutrina Espírita possui o melhor conteúdo de conhecimento já sintetizado na história da humanidade. Não há presunção alguma em dizer isso, porque ela é obra das entidades superiores que planejaram as nossas revoluções espirituais.

O nosso papel agora é utilizar nosso compromisso com o Espiritismo para nos conectarmos. Precisamos empenhar mais esforços para vencer nossas barreiras e limitações. De outra forma, corremos o risco de atrasar esse processo de catálise da nossa transição planetária, que começou há 161 anos e no qual temos o compromisso de liderar.

Precisamos nos preparar mais e assumirmos o nosso papel de catalisadores da Nova Era.

Nós espíritas, pedimos para estar aqui neste momento, para acelerar a chegada do mundo de regeneração.


Os tempos são chegados!

(Jaime Ribeiro)                             
                              

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

AS PEQUENAS MORTES QUE ANTECEDEM O SUICÍDIO - Adeilson Salles

AS MORTES EMOCIONAIS


O auto extermínio não ocorre de um momento para o outro.

O suicídio antes de acontecer é permeado por outras mortes que vão tecendo as malhas depressivas que gradativamente envolvem o jovem ou o adulto.

Um ato de desespero dessa ordem vai acontecendo primeiramente na alma do suicida.

Ele vai sepultando suas esperanças e sendo abatido lentamente por fatores exógenos.

Não temos como sondar o coração das pessoas, por mais que acreditemos que essa ação devastadora não encontre explicação, pois muitos julgam esse ato uma atitude covarde.

Frustrações, expectativas, complexos variados e dificuldades no campo sexual são alguns dos componentes que enredam a criatura humana em pensamentos suicidas.

Percebe-se com muita clareza que a alma humana que fundamenta seus valores, apenas nos prazeres medíocres que o mundo vende não tem estrutura psicológica para se manter equilibrada ante a gangorra dos ciclos da vida nesses tempos.

O egoísmo entronizado no coração da mole humana, o hedonismo adotado como pedagogia de vida.

Egoísmo e prazer, fatores de grande poder de destruição do psiquismo daqueles que não conseguem entender que a vida primeiramente é tudo aquilo que cultivamos dentro de nós.

Famílias e mais famílias são arrebatadas pelo tsunami da vida voltada apenas para os valores perecíveis da matéria.
O homem moderno está doente, preso a um padrão comportamental enfermiço.



É a febre do ter, ter cada vez mais para preencher a falta de valores que minimamente apascentem as inquietações do espírito.

Quanto mais a incerteza toma conta das mentes, mais o vazio cresce e é preciso beber a água da ilusão, que é salgada e consequentemente não sacia o ser espiritual.

Famílias abastadas onde não falta absolutamente nada em termos material, veem seus filhos atirarem-se dos arranha céus num voo que reflete o grande grito de socorro.

A dor interna é tamanha que é preciso aniquilá-la de qualquer jeito.

Precisamos urgentemente de mais humanidade entre nós.

Aprender o valor da compaixão, disseminar o exemplo de ser bom e digno.

Essas ações nascem no coração do homem a partir dos próprios lares.

A indiferença com o semelhante desconhecido também mata quando somos ausentes da vida dos que comungam o mesmo teto que nós.

Todos os dias chegam notícias de jovens que creem voar para o nada suicidando-se e nesse gesto deixam um rastro de perplexidade para os que ficam.

É preciso prestar atenção nas pequenas mortes emocionais que ocorrem ao nosso lado, para prevenir dores maiores.

O suicídio pode ser evitado, evitando-se a indiferença com a dor emocional alheia.

O que pode parecer pueril aos nossos olhos, por vezes é momento devastador na vida dos que convivem conosco.

Nosso amor e compaixão podem "ressuscitar" corações queridos das imperceptíveis e pequenas mortes desses tempos de desamor.

Adeilson Salles