sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Executivo Jaime Ribeiro lança livro sobre como o excesso de interações digitais vai afetar nossas emoções e quais serão as habilidades mais valorizadas nos líderes daqui para frente por Alvaro Bodas



Trecho da entrevista do autor Jaime Ribeiro para a revista  Você S/A.

Jaime Ribeiro, educador: “O jeitinho brasileiro é a maior expressão da nossa falta de empatia, porque significa se dar bem sem se importar com o próximo” 

A empatia é a competência do futuro, diz autor

Educador Jaime Ribeiro lança livro sobre como o excesso de interações digitais vai afetar nossas emoções e quais serão as habilidades mais valorizadas nos líderes daqui para frente

POR ALVARO BODAS

Empatia é a habilidade de se colocar no lugar do outro. Para o educador, escritor e palestrante Jaime Ribeiro, em breve, essa será a habilidade mais importante para a humanidade, em um mundo dominado por interações digitais.

Autor do livro Empatia – Por que as pessoas empáticas serão os líderes do futuro? (Letramais Editora), lançado em dezembro, ele acredita que, sem empatia, corremos o risco de perder os elos emocionais, que foram essenciais na construção da sociedade. Na obra, ele analisa como as novas tecnologias afetarão nossos relacionamentos e emoções, o que devemos ensinar às novas gerações e quais serão as habilidades mais exigidas dos líderes em um futuro próximo, dominado pela inteligência artificial e serviços executados por robôs, entre outras questões.

Jaime tem 46 anos, nasceu em Recife e se formou em Engenharia Química antes de fazer MBA em Gestão de Negócios na Universidade Federal de Pernambuco e MBA em Marketing na Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro. Atualmente, é escritor, palestrante, estudioso das habilidades socioemocionais e diretor de marketing da Pearson do Brasil, grupo de educação presente em mais de 70 países. Seus estudos abordam aspectos humanos como empatia e liderança por meio das chamadas soft skills, que já são as competências mais requisitadas no mundo corporativo. Ele também é membro da ONG Fraternidade sem Fronteiras, em que se dedica a melhorar o acesso à educação de crianças e jovens que vivem em extrema pobreza em cidades do Brasil e da África.

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O que é empatia, e como ela afeta as relações de trabalho? 

É a habilidade de se colocar no lugar do outro, saber como ele se sente e mudar seu comportamento a partir disso. Foi essa habilidade que nos trouxe onde estamos, como seres humanos. Nas empresas, se colocar no lugar do outro é importante para tudo: entender o cliente e saber o que ele quer, promover o engajamento da equipe, diminuir o turnover e melhorar as relações entre funcionários e gestores. As habilidades humanas, hoje, são as características mais requisitadas no mercado de trabalho. Durante muito tempo, os conhecimentos técnicos foram priorizados por causa da inovação, mas agora as habilidades emocionais são bem mais importantes, já que as habilidades técnicas podem ser supridas com muito mais facilidade. Saber trabalhar em grupo, conseguir se expressar, ter criatividade e capacidade de adaptação são habilidades humanas cada vez mais valorizadas. Por isso elas são as competências essenciais para os líderes do futuro. E a empatia é o epicentro dessas habilidades.

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Jaime Ribeiro é natural de  Recife. Espírita desde a adolescência,  é autor e palestrante. Trabalha como executivo da área de educação. É engenheiro químico formado pela Universidade Católica de Pernambuco e pós-graduado em marketing pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Escreveu Dora, seu primeiro livro infantil, que aborda as habilidades socioemocionais para as crianças, usando a adoção animal como instrumento. Também é autor do livro Empatia – Por que as pessoas empáticas serão os futuros líderes do mundo? Que aponta a empatia como a habilidade que será mais valorizada pela sociedade, em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia e com maior fragilidade de laços entre as pessoas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Daqui do Sofá da Minha Casa: Porque devemos ir ao centro espírita - Por Jaime Ribeiro




                                                               Sede ardentes na propagação da nova fé.  – Allan Kardec – Revista Espírita – Edição de abril de 1860.

Alguns meses atrás, um amigo da época a da juventude espírita me procurou para pedir dicas de boas palestras doutrinárias no Youtube. Obviamente eu já tinha uma lista das minhas palestras preferidas, incluindo clássicas de Divaldo, Raul Teixeira e Rossandro.  Compartilhei com ele a minha pasta e disse que em breve gostaria de conversar sobre aquele conteúdo. Eu gosto de conversar com os meus amigos sobre as palestras assistidas. Acho esse hábito tão prazeroso quanto assistir meus palestrantes preferidos falarem.

Uma semana depois, meu amigo me procurou pelo chat do facebook dizendo que precisava de mais palestras. Eu, que sou muito curioso, perguntei se o pessoal do centro que ele frequentava não compartilhava conteúdos, assim como fazem meus amigos e irmãos da Sociedade de Estudos Espíritas de Chicago, que estão sempre trocando temas relevantes entre si e indicando palestras maravilhosas em nosso grupo de whatsapp.

Para minha surpresa, ele falou que não estava frequentando um centro espírita. Contou que tinha tentado se vincular a uma casa, mas não conseguiu se identificar com as instituições que ficam próximas à sua casa. Alegou que as reuniões eram pouco motivadoras. Para usar suas próprias palavras:  “acho que as pessoas falam com muito boa vontade, mas não se dedicam a preparar o tema de maneira cuidadosa, envolvendo a atualidade e aprofundando, com o devido empenho, o ensino da Doutrina Espírita”.

Insisti para que ele procurasse outra casa espírita, mesmo que longe de sua residência, com o objetivo de não abrir mão de sua tarefa. Falei que ele poderia também permanecer na mesma casa que frequentou e se disponibilizar para ajudar a instituição no desenvolvimento e organização doutrinária. Claro que sei que muitas vezes essa tarefa é muito difícil. Não pensem que eu não estou familiarizado com a dificuldade que todos aqueles que querem trabalhar encontram no processo de escolha da casa do coração. Nós espíritas somos especialistas em atender aqueles que sofrem e precisam de nosso concurso, mas ainda precisamos aprender muito sobre como lidar com nossos irmãos de crença, dentro da própria casa espírita. Mesmo assim, tenho inúmeros argumentos para explicar porque desistir do movimento espírita é sempre a pior decisão a se tomar.

Não precisamos ir muito longe para entender porque temos a necessidade, até mesmo exigência espiritual, de nos congregarmos nas nossas instituições. Basta lembrarmos o dia no qual cada um de nós chegou pela primeira vez a uma casa espírita.

Eu por exemplo, quando cheguei ao Missionários da Luz, instituição que fica no bairro do Pina, em Recife, fui profundamente impactado pela palestra do dia. Desde a maravilhosa introdução com uma mensagem do livro Respostas da Vida, até a assertiva palestra sobre o livro O que é o Espiritismo. Já sai de lá espírita. Imagino que cada um de nós também tenha uma história incrível para contar sobre o dia no qual se tornou espírita.  Pode ser que esse dia tenha ocorrido em um período de muito sofrimento e amargura em nossas vidas, mas tenho certeza que se tornou  inesquecível para cada um de nós. Foi na casa espírita que encontramos o conforto das palavras do consolador prometido por Jesus e mudamos a nossa vida para sempre.
Seja por curiosidade ou por sofrimento, fomos acolhidos e contemplados com a oportunidade de assumir o nosso posto, previamente combinado no mundo espiritual, para cumprir a urgente tarefa de acelerar a transição do nosso planeta para mundo de regeneração.

O que nos faz pensar que não devemos fazer o mesmo por aqueles que estão sofrendo agora ou que ainda não encontraram a conexão espiritual necessária para se juntar ao nosso grupo de trabalhadores da última hora?
 O professor Herculano Pires, em sua obra O Centro Espírita, fala que “se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente as suas funções e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra”.  Não há dúvidas de que precisamos estar juntos para continuarmos divulgando, estudando e vivendo a Doutrina Espírita.

Às vezes, nos desapontamos com o movimento e tentamos separar a Doutrina das pessoas. Isso ocorre porque, na hora da decepção, esquecemos que a Doutrina é dos espíritos, como diz seu próprio nome. Pode até parecer redundante relembrar isso, mas nós também somos espíritos.

O Espiritismo também precisa das pessoas, para que sua tarefa seja cumprida.  A Doutrina não é apenas uma mensagem de transformação individual, ela tem a proposta de redenção coletiva. Reduzir o espiritismo ao plano individual de cada um é tentar isolar uma mensagem que usa a transformação íntima para impactar a humanidade.
Importante que lembremos também que o Espiritismo não pode ser vivido sem a realização da sua maior máxima: “Fora da Caridade Não Há Salvação”. É impossível exercitar a caridade sem o convívio humano. Somos seres únicos, mas fomos criados para viver em comunidade. Todo espírito está inevitavelmente submetido à lei do progresso, essa sublime lei da vida.

Tudo pode começar de uma forma imperceptível. Acontece um desapontamento, depois outro e, por fim, como sabemos que somos espíritas e que nada abalará a nossa crença, até mesmo a falta da convivência no centro espírita, optamos por ficar em casa. Quando nos damos conta, estamos completamente envolvidos na intensa rotina do dia a dia e aos poucos nos afastamos das práticas doutrinárias. Dessa forma, mesmo não duvidando dos princípios básicos, mesmo sentindo a Doutrina pulsando dentro de nós, a ligação vai se tornando tênue e, sem perceber, rebaixamos ao segundo plano tudo aquilo que outrora nos fortaleceu e ressignificou a nossa vida.

Assim nos transformamos em Espíritas de Sofá. Passamos a adorar a Doutrina, compartilhamos mensagens positivas nas redes sociais, nos declaramos espíritas ao IBGE, mas não entregamos o melhor que podemos de nós mesmos para que a Doutrina que amamos alcance o coração daqueles que anseiam pelo conforto da mensagem do Cristo.

Todos nós sabemos que algumas instituições contam com desafios significativos no campo do relacionamento humano. Quem nunca se perguntou como “aquela pessoa” estava trabalhando na recepção dos assistidos, quando não apresentava habilidade necessária ao trato social? Quem nunca se deparou com algum parente de dirigente que quando tenta ajudar em qualquer tarefa, consegue desajustar os demais envolvidos no trabalho ou até mesmo convencer  pessoas novas a irem embora do centro? Em algumas instituições parece até que a pessoa está presente em todas as tarefas do centro e torna-se impossível evitar o contato com ela.

Quando observamos essas situações de uma forma simplificada, esquecemos que mesmo essas pessoas difíceis, se encontram em lutas íntimas para se tornarem indivíduos melhores. Somos todos necessitados de compreensão e respeito em nossas deficiências e inabilidades. Temos que ter caridade e capacidade de enxergar o mundo ao nosso redor com sabedoria e humildade. Muitas vezes, precisamos apoiar essas pessoas difíceis, procurando, com certa habilidade, proporcioná-los o entendimento de como poderiam ajudar de uma forma mais efetiva. Somos todos indivíduos em evolução. Cada um com suas batalhas no campo do desenvolvimento íntimo. Graças a Deus temos essas pessoas por perto para nos auxiliar. Imaginemos o quanto nós também temos traços de personalidade que exigem esforço e indulgência daqueles que nos cercam. Precisamos vivenciar a caridade e a empatia.

Eu sei que às vezes é uma luta. Só Jesus na causa! Sei que muitas vezes é um erro de sensibilidade de gestão, por não perceber que algumas pessoas de boa vontade podem atrapalhar a tarefa do bem. Contudo, afastar-se será sempre a pior decisão para nós mesmos e para o Espiritismo. Nós nos comprometemos em seguir essa Doutrina. Segui-la significa também preservá-la, divulgá-la e vive-la dentro de nossas instituições.

Nos momentos atuais, sabemos a importância das palestras em formatos digitais, para a propagação da Doutrina Espírita. Trabalhos como o do Rubens da Web Rádio Fraternidade são essenciais para a divulgação doutrinária, proporcionando a todos o acesso a conteúdos, até então disponibilizados de uma forma muito limitada, apenas para aqueles que podiam estar presentes nas palestras, ou para quem comprasse o DVD do evento, quando o mesmo era gravado. As palestras que se hoje encontram no Youtube são essenciais para que todos possam ter acesso às mensagens de vários estudiosos da Doutrina espalhados ao redor do mundo. Em especial para os mais jovens, o conteúdo em vídeo é o melhor formato para proporcionar a multiplicação do conhecimento do pensamento espírita e gerar o engajamento necessário ao movimento. Precisamos propagar e utilizar bastante os recursos dos podcasts e vídeos espíritas em geral, nas nossas permutas doutrinárias.

Não podemos permitir que a facilidade de acesso digital nos torne Espíritas de Sofá. Precisamos voltar aos nossos lares, que são as instituições espíritas, para ajudar na tarefa começada por Allan Kardec. Assim como Jesus precisa de nós para multiplicar a sua palavra, Kardec e a legião do Espírito de Verdade, conta conosco para que a mensagem do consolador prometido chegue aos corações daqueles que ainda não a conhecem.

 Até mesmo a pretexto de que alguns  centros espíritas não estão oferecendo os níveis de trabalho que imaginamos que nossa intelectualidade é merecedora, não deveríamos optar por abandoná-los. Temos a obrigação de dar nossa cota de trabalho para levar conforto a quem necessita de uma palavra amiga e de esclarecimento espiritual. É nosso dever apoiar as casas espíritas no desenvolvimento de estudos que alimentem a sede de conhecimento daqueles que estão em busca de beber na fonte de Kardec e Jesus.

Certamente, navegando na internet vamos encontrar bons conteúdos e palestras de renomados nomes do movimento espírita. Contudo, apenas nas reuniões e tarefas presenciais seremos capazes de extrair o melhor do que foi ensinado, por essa Doutrina que nos respondeu tudo aquilo que queríamos saber e não encontrávamos em qualquer outro lugar.

As casas espíritas precisam de nós, assim como nós um dia precisamos delas.

Façamos a nossa parte. Jesus conta conosco. 
Temos muito trabalho pela frente e estamos aqui para executá-los juntos.

Ei, você ainda  está no sofá? Levanta daí. J

Vem aqui se juntar à nossa tarefa. 
Será uma alegria encontrá-los no Núcleo kardecista Antônio Pereira de Souza, em São Paulo. Podemos também nos encontrar em alguma das escolas espalhadas pelo Brasil que adotam o Programa Garrafas ao Mar, da Fraternidade sem Fronteiras. Vamos juntos engajar as crianças brasileiras no trabalho voluntário para construir escolas nas regiões mais pobres do planeta.

Trabalho é o que não falta! Vamos mudar o mundo?


Jaime Ribeiro é natural de  Recife. Espírita desde a adolescência,  é autor e palestrante. Trabalha como executivo da área de educação. É engenheiro químico formado pela Universidade Católica de Pernambuco e pós-graduado em marketing pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Escreveu Dora, seu primeiro livro infantil, que aborda as habilidades socioemocionais para as crianças, usando a adoção animal como instrumento. Também é autor do livro Empatia – Por que as pessoas empáticas serão os futuros líderes do mundo? Que aponta a empatia como a habilidade que será mais valorizada pela sociedade, em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia e com maior fragilidade de laços entre as pessoas.






quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

NOVAMENTE O NATAL POR DIVALDO FRANCO


Embora os problemas complexos e desafiadores destes dias, quando as criaturas humanas estamos em aturdimento e conflitos perversos, lentamente se aproxima a data natalina de Jesus.


De alguma forma, a psicosfera terrestre se modifica e suaves esperanças tomam conta de nossas vidas.


Velhas canções de infância ressoam em nossos sentimentos, páginas de ternura que pareciam esquecidas retornam à nossa memória, a magia dos presépios com figuras de barro ou de porcelana, de madeira ou de marfim nos fazem evocar a noite santa de Belém, enfim, cada um de nós sente o doce fenômeno da Manjedoura, que inaugurou um período novo para a Humanidade.


A grandeza daquele Menino incomparável modificou a História, e, por ser tão extraordinária a Sua vida, não coube nos seus fastos, que passaram a ser narrados antes e depois d'Ele.


No Seu anonimato, viveu em modesta região, Nazaré, na parte baixa de Israel, a Galileia, e quando iniciou o Seu ministério, ofereceu conceitos diferentes dos então existentes, lecionando amor e fraternidade como antes ninguém nunca se atrevera a expressar. Não apenas falou, mas viveu a extraordinária existência de desafios e mudanças sociológicas e psicológicas, que O tornaram modelo e guia para os tempos vindouros.


Ninguém que se compare a Jesus!


Acredita-se que Napoleão Bonaparte é o homem mais biografado da humanidade, no entanto, Jesus o suplanta.


É certo que nem todas as biografias são elogiosas ou místicas, muitas delas são críticas e vulgares, o que é natural, porque todos aqueles que ouvem falar sobre Ele nunca mais são os mesmos: amam-nO ou detestam-nO.


O Seu comportamento moral incomoda os frívolos e os odientos, ainda hoje, e os Seus silêncios perturbam os vaidosos e exaltados.


Psicoterapeuta extraordinário, alcançou o estado numinoso, e convivendo com os miseráveis da época, não se tornou mais um deles, antes os ergueu à dignidade e à vitória sobre a própria sombra.


Não poucas vezes, a Sua mensagem foi deturpada ou adulterada propositalmente, para atender a interesses infelizes de homens e mulheres indignos, de dominadores transitórios e perversos, e mesmo assim, à semelhança do ouro que se destaca no cascalho, as Suas palavras são gemas que libertam das paixões inferiores e proporcionam felicidade sem jaça.


Bastam Suas duas frases irretocáveis aplicadas e vividas no comportamento humano e o mundo se tornará melhor, no qual a vida se modificará: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” e “Não fazer a outrem o que não gostaria que lhe fosse feito”.
No próximo Natal, busca reviver as Suas lições e aplicá-las na conduta íntima, doméstica, social e comunitária para que todos sejamos harmônicos e ditosos.


Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, de 13 de dezembro de 2018.


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

O SOBREVIVENTE DESIGNADO DO ESPIRITISMO por JAIME RIBEIRO.



Eu estava muito cansado. Havia viajado mais de oito horas até chegar ao hotel no Rio de Janeiro e fui direto para a cama.


Estava na minha cidade de coração por uma ocasião muito especial: assistir ao Congresso Mundial de Espiritismo e assumir uma nova tarefa como suplente de secretário, do recém-criado Conselho Espírita Internacional.


O convite para essa vaga surgiu porque eu entendo um pouco de plataformas digitais e talvez pudesse ser útil no processo de inclusão da tecnologia do movimento espírita. Foi uma indicação do meu orientador Luiz Saegusa, que é bastante influente no meio.


Claro que houve protestos por parte de alguns membros, afinal eu não era um nome conhecido e muito menos era um palestrante famoso. Poucos me conheciam. Contudo, espíritas ilustres que faziam parte do comitê aconselharam a todos que algum dia eu poderia ser útil.


Mesmo com tanta euforia, sou filho de Deus e antes de dormir queria ver mais um episódio da série da Netflix chamada Designated Survivor, que conta a fascinante história de Thomas Kirkman, um político irrelevante e prestes a ser descartado, que se torna presidente dos Estados Unidos após um atentado que desencarnou todos os políticos da linha de sucessão da presidência. Após se tornar o homem mais poderoso do mundo de um dia para o outro, sem planejar e sem ser conhecido e reconhecido, ele enfrenta uma avalanche de complexos desafios que o cargo exige, sem contar com qualquer confiança da população e de todos que estão ao seu redor. Surpreendendo a todos ele se sai muito bem e se transforma num líder sábio e empático que aos poucos conquista a todos.


Quando estava na metade do episódio o sono chegou. Eu já estava quase dormindo quando a minha porta do quarto abriu. Era o coordenador de uma das ONGs mais respeitadas do Brasil, que tem um lindo trabalho na África, acompanhado de mais cinco pessoas que eu nunca vi na vida.


Quase que como por uma ordem pediram para eu me vestir. Falaram que eu estava atrasado e precisava me apressar para o evento. Estavam todos com cara de chocados. Notei que alguns tinham suas roupas sujas e rasgadas, mas não questionei. Apenas obedeci apesar de não entender como eu poderia ter dormido 48 horas seguidas.


Perguntei para o rapaz da ONG o que estava acontecendo e ele me respondeu que tinha acontecido um problema. Que o avião fretado, que estava vindo de Brasília com todos os dirigentes espíritas das federativas e palestrantes, incluindo Divaldo Franco, Rossandro Klinjey, Haroldo Dutra e Suely Caldas Shubert, havia desaparecido no dia anterior e as autoridades fizeram contato dizendo que não haviam achado a aeronave.


Prontamente fiquei chocado e meu coração disparou pela boca. Pensei nos meus amigos queridos que estavam vindo e quando me sentei novamente sem forças nas pernas uma senhora me segurou pelo braço e falou: “filho, agora você tem que ser forte. Estão todos lhe esperando para abrir o congresso. Você agora é o novo presidente do Conselho Espírita Internacional e tem que abrir o evento no lugar do presidente desaparecido e fazer a palestra no lugar do Divaldo.” Ah, e antes que eu esqueça, após o Divaldo entra o Rossandro, então você terá duas horas e meia de palestra”.


Apesar de saber que era uma tragédia, eu sorri e falei: “mas eu não sou ninguém. Eu faço apenas palestras em alguns centros que me convidam por muita caridade. Isso é algum engano ou o Rossandro está me trolando e rindo atrás da porta do quarto”.


A senhora segurou no meu braço e falou: “não há mais tempo a perder. Vamos embora porque até o Dr. Bezerra psicografou ontem no conselho federativo nacional e disse que vai se comunicar hoje no congresso. Como Divaldo e De Lucca estão no avião, acreditamos que ele vai usar você. Ah, tem mais uma coisa. O Wagner da Fraternidade estava no avião também e tem umas instituições que querem se engajar no Projeto Nação Ubuntu e você tem que almoçar com eles e fechar tudo”.


Naquele momento eu gelei e pensei: meu Deus. Eu virei o Designated Survivor (Sobrevivente Designado) do espiritismo! Eu ainda não estou preparado. Preciso de mais tempo, treino, estudo e entender melhor o trabalho social da ONG na qual eu faço parte. Deve ter uma outra pessoa para isso. Por que logo eu?


Foi quando ao meu lado me aparece o meu mentor. Eu não sei vocês que também tem contato com o protetor, mas o meu está sempre de cara emburrada e me dando bronca. Mais uma vez ele me olha e diz o de sempre: “você me dá muito trabalho. Está na hora de acordar. Felizmente você ainda não é o Sobrevivente Designado da Doutrina Espírita, mas deveria estar preparado para ser. Não há mais tempo para viver a tarefa do Cristo de forma parcial. Jesus não vive parcialmente por nós. Ele vive por nós a cada fração de seu tempo. Acorde”.


Acordei assustado. Eu não estava em hotel algum. Estava no meu quarto em São Paulo. Tratava-se de um sonho dentro de um sonho.


De toda forma foi um grande aprendizado que mudou a minha vida para sempre. Percebi que precisava me doar mais à causa da nossa Doutrina maravilhosa que a tantos consola e esclarece.


Somos todos Designated Survivors do Espiritismo. Jesus conta com o nosso melhor para conduzir esse mundo para uma Nova Era.


O consolador não tem apenas um designado. Tem a todos nós. Não somos sobreviventes, somos eternos. Somos aqueles que, ainda imperfeitos, humildes espíritos classificados pelas bordas da terceira ordem da escala espírita, temos a missão de liderar a tarefa do bem na terra.


Vamos lá, leitor. Se olhe no espelho agora. Se estiver no sofá, pegue seu celular e se olhe na câmera: você verá um designado do Cristo na sua frente.


Jaime Ribeiro




Jaime Ribeiro é natural de  Recife. Espírita desde a adolescência,  é autor e palestrante. Trabalha como executivo da área de educação. É engenheiro químico formado pela Universidade Católica de Pernambuco e pós-graduado em marketing pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Escreveu Dora, seu primeiro livro infantil, que aborda as habilidades socioemocionais para as crianças, usando a adoção animal como instrumento. Também é autor do livro Empatia – Por que as pessoas empáticas serão os futuros líderes do mundo? Que aponta a empatia como a habilidade que será mais valorizada pela sociedade, em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia e com maior fragilidade de laços entre as pessoas.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

PERDA DE PESSOAS AMADAS. Bezerra de Menezes / José Carlos De Lucca.



"Na verdade, nosso ente querido não morreu, apenas regressou às regiões espirituais de onde partiu antes de renascer na Terra."



Ao nos defrontarmos com a morte de um ente amado, é natural que a dor da partida nos envolva com emoções de muita tristeza. Mas é necessário que ajustemos a nossa mente a um raciocínio mais amplo sobre as leis da vida, a fim de que a revolta e o desespero se apartam de nós o mais depressa possível.

Na verdade, nosso ente querido não morreu, apenas regressou às regiões espirituais de onde partiu antes de renascer na Terra. Carecemos de raciocinar espiritualmente, isto quer dizer abortar o pensamento materialista que estreita a nossa vida a limites muito pequenos entre berço e túmulo.

Ora, caríssimos irmãos, porventura Deus edificaria toda a obra maravilhosa do universo, com milhões de estrelas, rios, mares, florestas, para que o homem vivesse tão pouco? Não foram os homens criados para as estrelas, mas as estrelas é que foram concebidas por Deus para o homem. Por que a divindade se esmearia em criar tantas galáxias, numa vastidão tão infinita que o homem ainda não foi capaz de aquilatar a extensão dos mundos, apenas para que a criatura humana vivesse por tão poucos anos? Se Deus é o autor da vida, por que Ele se contentaria com a morte tal como o materialismo a concebe? 

Raciocinemos mais amplamente, filhos. A morte é simples passagem desta realidade terrena para as outras infinitas realidades além da matéria. Comecemos a treinar nossa mente para conceber a vida além da realidade física que nos cerca. Nossos sentidos captam faixas limitadas da vida. Não queiramos pensar que só existe aquilo que vemos. A vida avança muito além daquilo que nossa limitada visão consegue captar. E é além dessa fronteira que nossos entes amados se encontram, refletindo, trabalhando, cooperando conosco, e esperando o dia do grande reencontro. 


Do Livro Recados do Meu Coração , p. 143
Espírito Bezerra de Menezes por José Carlos de Lucca