terça-feira, 27 de agosto de 2019

O Problema da Dor e a Antifragilidade do Espírito Humano por Jaime Ribeiro




Uma nova perspectiva espírita sobre o sofrimento.

Por Jaime Ribeiro


Se, desde as primeiras estadas na terra,  a alma vivesse livre de males, ficaria inerte, passiva, ignorante das coisas profundas e das forças morais que nela jazem. Leon Denis 


A vida humana é composta de prazeres e dores. Ambas necessárias a educação do espírito em evolução.
Imaginar uma vida só de prazer é um delírio infantil, egocêntrico e egoísta.
Por não compreendemos perfeitamente as leis do universo, muitas vezes somos compelidos a acreditar que somos capazes de coordenar as emoções e reações dos outros, controlando o impacto dessas ações em nossa existência.
Desejamos uma vida perfeita na qual a dor fosse suprimida e pudéssemos gozar de um paraíso particular adquirido sem grandes esforços.  Contudo, sem o concurso da dor, não é possível que a vida humana seja completa e plena. O sofrimento é a ação da vida para quebrar os nossos estreitos conceitos individualistas e expandir o espírito humano para que rompa os limites que aprisionam seu potencial divino.

Pelo exercício da dor e do sofrimento deixamos de ser criaturas frágeis para nos tornarmos seres Antifrágeis.
Para explicar o que isso significa me apropriarei de um conceito criado pelo autor libanês Nassim Taleb.
Para você entender o conceito de antifrágil é preciso primeiro definir o que significa ser frágil, que seria algo que quebra ou se danifica quando submetido à pressão de um agente externo.
Diferente do que costumeiramente se pensa o contrário de frágil não é rígido- nosso idioma, muito menos qualquer outro idioma conhecido, não possui uma palavra para expressar o antônimo da palavra frágil- coisas rígidas ​​são aquelas resistentes, capazes de suportar situações extremas sem se alterar. Nem perdem nem ganham com elas. Não se danificam diante de estressores externos, mas também não se transformam em algo melhor quando impactados por esses.
Antifrágil é oposto de frágil. É algo que melhora quando está diante de uma situação inesperada, estressora ou até mesmo caótica. É algo poderoso capaz de torna-se melhor diante dos piores cenários.
O nosso espírito humano é um exemplo divino do que significa ser Antifrágil.
Essa é a razão porque Jesus nos disse  Bem Aventurados os Aflitos, pois que serão consolados, no Sermão da Montanha.
Para os mais atentos em relação às sequências do Evangelho, é possível se perceber que não foi por acaso que após aquela lição atemporal, ele acrescentou: Vós sois o Sal da terra (M 5:13) e Vós sois a Luz do mundo (M 5:14).
Só estaremos verdadeiramente preparados para nos tornarmos o Sal da terra e a Luz do Mundo se não formos frágeis a ponto de perdermos o nosso valor ou apagarmos nosso brilho divino diante das intempéries da vida.
Jesus em momento algum falou que deveríamos aguentar o sofrimento sem coragem e bom ânimo.
Como diz Leon Denis: pelo sofrimento aprendemos a humildade, a indulgência e a compaixão, qualidade primordiais do equilíbrio das pessoas verdadeiramente fortes.

Essas habilidades nos preparam para uma compreensão mais nítida de como devemos nos comportar diante de outras criaturas humanas, deixando para trás traços primitivos, que foram importantes para nossa proteção e sobrevivência na passagem por experiências primitivas, mas que serão desnecessários na nossa jornada rumo à planos melhores do que o que hoje habitamos.

Por isso, sermos antifrágeis é a resposta mais apropriada para a grande pergunta filosófica que atravessa os séculos: por que sofremos?

Sofremos para nos transformarmos em criaturas melhores, para sermos capazes de compreender as grandes lições da vida e nos tornamos Espíritos Antifrágeis.
Existem vários exemplos de pessoas que realizaram grandes feitos após passar por grandes dificuldades e provações da vida. Não se deixaram abalar pela dor e pelos ofensores que acreditaram que o abateriam e saíram de situações caóticas e dolorosas mais fortes e capazes do que eram anteriormente.

É assim que todos nós devemos reagir diante de  nossas dores. No meio do pranto e da incerteza, devemos lembrar de nossa condição divina e ajustar a nossa reação para nos prepararmos para uma vida melhor.

A diferença de quem compreende a dor e responde à natureza espiritual antifrágil e aqueles que se fragilizam demostrando arrogância, dureza de coração e revolta, é a capacidade de realização pós-trauma. Enquanto não sairmos mais fortes dos campos do sofrimento humano, a vida repetirá as lições para que aprendamos e nos preparemos para nossa maior proporção espiritual.

O ser humano endurecido ou o fragilizado experimentam a mesma versão de controle de sua jornada evolutiva. Precisam romper barreiras de compreensão para alcançarem caminhos evolutivos mais encurtados.

Experimentamos a dor porque ainda existe uma desproporção entre nossa fragilidade e o conjunto de todas as forças universais que nos cercam. Somos incapazes de assimilar nitidamente todos os mecanismos e leis que influenciam a vida humana. Somos crianças que desejam ser santos.

Apesar de boa parte das verdades divinas estarem sendo reveladas pela Doutrina Espírita e sabermos que estamos submetidos à leis perfeitas, conhecer alguns princípios e estuda-los não é suficiente para que possamos concluir nossos ciclos de sabedorias necessárias ao progresso espiritual.

Sem a dor não estaríamos prontos para vivenciar experiências mais sofisticadas do nosso destino espiritual, regido pela Lei do Progresso. Continuaríamos inertes e ainda seríamos espíritos frágeis e distantes de nosso potencial divino.

O espiritismo nos dá a melhor explicação sobre a razão de nossos sofrimentos. Libertando aqueles que se prenderam à doutrinas deterministas e acreditavam que eram miseráveis e esclarecendo àqueles que não encontram racionalidade ou justiça na dor. As múltiplas existências e a Lei do Progresso são ensinamentos que atenderam aos que ansiavam por explicações mais consistentes no campo da fé.

Só por meio das turbulências da vida seremos capazes de nos preparar para sermos cocriadores divinos de nossa melhor versão.
Como disse Paulo aos Hebreus: depois que fostes iluminados, suportastes grande combate de aflições.
Precisamos ter bom animo para desenvolvermos a nossa melhor versão após os piores momentos de nossas vidas. Sigamos o rumo da nossa evolução espiritual.
Lembremos que somos todos Antifrágeis!








Siga Jaime Ribeiro nas redes sociais:





sexta-feira, 10 de maio de 2019

AS PALAVRAS SAGRADAS | POR JAIME RIBEIRO



Existem três palavras sagradas que estão interligadas na vida: Amor, mãe e família.

Quando penso nessas palavras outra segue muito forte na mente: dedicação.

O amor é um sentimento tão sofisticado que necessita de fundamentos prévios de outros sentimentos para que ele ocorra; como o respeito, por exemplo. O amor não acontece. Ele se constrói com dedicação ao outro e afetividade para viver ao lado do diferente, buscando o equilíbrio entre ser feliz e fazer o outro feliz. Amor sem dedicação ao outro é um delírio de espera pela felicidade.
Mãe. Essa palavra carrega toda força da criação, da divindade e da vida. Por isso a partir desse presente especial dado às mulheres é que se alicerça a obra de Deus. Por isso é impossível separar a dedicação, da maternidade e do propósito maior da natureza que é a perpetuação da vida. Ser mãe é se dedicar ao outro prioritariamente. Toda maternidade é santa.
Família é tudo. Isso não é apenas uma frase de tatuagem ou algum mantra repetido para quem se frustra emocionalmente na rua e busca conforto na lembrança de sua condição de pertencimento junto aos entes queridos.
Família é um laço criado sobre a base das duas outras palavras sagradas.

Ao decidir criar uma família, o ser humano se propõe a participar da força motriz da vida. Decide dedicar amor a outro ser e atravessar a tumultuada jornada da vida se dedicando a um propósito divino, pondo em prática todas as habilidades humanas que são convocadas para harmonizar o lar quando nossas inabilidades se apresentam na realidade da rotina.

Sempre bom lembrar que sem dedicação não existe amor, mães ou famílias. 
Sem dedicação a vida torna-se um conjunto de possibilidades temporárias e frustradas.

A dedicação é amor, é mãe e é família.

Feliz dia das Mães!




Siga Jaime Ribeiro nas redes sociais:



terça-feira, 30 de abril de 2019

O ESTUDO DO ESPIRITISMO NA ERA DIGITAL - O FUTURO JÁ COMEÇOU POR JAIME RIBEIRO



Com as transformações trazidas pela era digital de quem é o papel de escolher o que é relevante e sério para o estudo e divulgação do Espiritismo?

“Quando se vos diz que a Humanidade chegou a um período de transformação e que a Terra tem que se elevar na hierarquia dos mundos, nada de místico vejais nessas palavras; vede, ao contrário, a execução da uma das grandes leis fatais do Universo, contra as quais se quebra toda a má vontade humana.” 
ARAGO. A Gênese –Cap. XVIII - Sinais dos tempos


Atualmente, a descentralização dos focos de informação vem mudando a dinâmica do aprendizado e ainda vai continuar impactando significativamente o processo de divulgação de qualquer conteúdo produzido ao redor do mundo.
Como não poderia ser diferente, a mesma dinâmica se aplica aos nossos estudos doutrinários espíritas.
Desde o início da codificação espírita, em 18 de abril de 1857, nunca foi produzido tanto conteúdo doutrinário, como agora, inclusive em vários formatos diferentes.  Já contamos com várias iniciativas em plataformas como Youtube, facebook e Instagram, que divulgam e propagam a nossa doutrina.
Surpreendentemente, algumas redes sociais como o Instagram, apresentam atualmente perfis individuais como @cantinho_espírita, @aquelejovemespirita e @espiritismo24h, com  maior engajamento com o público do que perfis online de instituições tradicionais do movimento espírita, incluindo algumas federativas. Até mesmo alguns dos palestrantes mais queridos e requisitados pelos grandes eventos, não possuem tanta “relevância digital” como algumas pessoas que ainda não são conhecidas no movimento espírita e administram seu espaço digital de divulgação e propagação da terceira revelação.
A nova dinâmica trazida pela internet proporciona a oportunidade de revelar talentos que, muito provavelmente, não teriam a oportunidade de compartilhar seu trabalho em uma escala como a que a rede mundial oferece. Este fenômeno aconteceu primeiramente no mundo do entretenimento e recentemente chegou ao plano de propagação de ideias humanistas e espiritualidade.

A revolução digital vem afetando a forma como nos relacionamos, mas também vem empoderando indivíduos e descentralizando o poder de influência e formação de opinião que era quase sempre uma exclusividade de organizações estruturadas ou pequenos grupos de pessoas a serviço dessas instituições.


 É intrigante pensar que nos tempos atuais, um jovem estudioso do Espiritismo que mora em Luzilândia, no interior do Piauí, tendo na mão um smartphone conectado na internet, tem mais acesso a conteúdo doutrinário e estudos científicos em sintonia com a Doutrina Espírita, do que o presidente de uma federativa tinha no ano de 1990. O tempo que um grande estudioso do espiritismo levava para pesquisar, confrontar ideias e encontrar referências relevantes para uma palestra ou trabalho foi reduzido de anos para alguns dias ou até mesmo horas de dedicação. Isso é uma revolução no processo de criação do pensamento espírita.
No início do ano eu fiz uma visita a casa onde morou Chico Xavier, em Uberaba. Uma matéria da Revista do Espiritismo que estava colada na parede me chamou muito a atenção. Ela dizia que as religiões não poderiam mais prescindir do rádio e da televisão e que sem o concurso da moderna tecnologia o ideal da evangelização seria uma quimera.
Apenas para fazer uma comparação, o Youtube iniciou suas atividades em 2005 e o facebook em 2004, mais ou menos na mesma época da matéria, mas estavam longe de assumir o protagonismo que hoje ocupam no consumo de mídia. Apenas em 2007 o Iphone foi lançado. Todos nós sabemos o que aconteceu após a sua apresentação. O smartphone da empresa apple impactou o mundo de uma forma como poucas inovações tecnológicas fizeram.
Isso leva a crer que nossos irmãos que estavam discutindo a difusão da Doutrina e o papel do rádio e da TV ao processo de unificação, assim como todo mundo, não faziam ideia da revolução digital que estava prestes a acontecer em poucos anos.  
Há algumas décadas, estávamos discutindo a importância do papel do rádio e da TV para a divulgação doutrinária, imaginem se devemos rediscutir isso agora, já que podemos usar a rede para nos conectar com o mundo todo a baixo custo.
O nosso trabalho principal agora é nos capacitarmos para entender o que é relevante ou não para as pessoas.
A diferença em relação às décadas passadas é que essa função de decidir o que é importante e o que merece a nossa atenção já não é mais tarefa de qualquer instituição. Em um mundo com abundância de informação e conteúdo quem desejar decidir o que deve e o que não deve ser lido, ouvido ou discutido, não poderá mais alcançar esse objetivo.
A era digital inaugurou o tempo do protagonismo individual. Pessoas e instituições são capazes de produzir e propagar conteúdo na mesma proporção. Quem vai decidir o que é bom e importante é o público alvo. No nosso caso, o espírita que está conectado nas plataformas digitais e consome palestras, textos e podcasts.
Bom saber que hoje, com o concurso da tecnologia digital, todos estão a apenas poucos cliques de juntar as últimas conquistas da ciência, as grandes análises filosóficas e o conteúdo da Doutrina Espírita.
A codificação e as demais obras de Kardec, por exemplo, já estão disponíveis na palma das nossas mãos após o lançamento do APP da Kardecpedia, no final de 2018. Todos os volumes produzidos pelo codificador cabem agora no nosso bolso e estão conosco em toda parte.
O grande legado da evolução tecnológica atual é empoderar o indivíduo.
Atualmente, cada um de nós possui mais poder para fazer nossa parte na transformação do mundo, do que as gerações passadas. A era digital nos deu acesso a um potencial de realização e criatividade que facilita a nossa tarefa como espíritos encarnados em uma era de transição planetária. Por isso relembro sempre que temos um papel importante nesse processo de transição planetária. Nunca houve uma geração com tanta capacidade de levar espiritualidade para tantos corações em uma velocidade que acompanha a urgência do momento.
A pergunta que nos vem à mente agora é: “como vamos lidar com essas mudanças e com todas essas informações?” Como disse François Arago, “as leis fatais do universo quebram toda a má vontade humana”. O que nos indica que não importa o que achemos do progresso humano, ele é uma lei natural de Deus e vai seguir seu curso mesmo diante de nossos protestos e incompreensão.
Precisamos aproveitar todas as possibilidades da tecnologia a nosso favor. Não há mais espaço para advertências como “aquele perfil do Instagram não deve ser seguido porque não está de acordo com os princípios doutrinários”, ou  “aquele blog não tem a homologação ou selo de uma instituição doutrinária reguladora”.
Espero que eu não seja a primeira pessoa que vai contar isso para o Movimento Espírita, mas o tempo de seleção particular, de exclusividade de curadoria e “validação de autenticidade” para os conteúdos doutrinários, acabou.
O poder de dizer para as pessoas o que elas fazem ou deixam de fazer está passando por transformações em todas as instituições humanas. Até mesmo porque o papel do que chamamos de poder não é apenas apontar o que deve ou não ser feito por todo mundo. Existe também uma função social que organiza comunidades e unifica as pessoas em torno de um propósito comum.
As instituições que faziam o trabalho de dizer se uma obra, um palestrante ou até mesmo uma editora são confiáveis, precisam olhar para dentro e compreender melhor seu novo papel na propagação e divulgação do Espiritismo.
Em um mundo no qual a censura à produção de conteúdo tornou-se impossível, a validação e avaliação de milhares de publicações disponibilizadas diariamente já não faz sentido. Faz-se necessário que as casas facilitadoras do movimento consigam ressignificar a importância de algumas tarefas prioritárias. A mais importante delas é gerar mais conteúdo para de alguma forma se posicionar contra os devaneios e a ignorância doutrinária.
Dizer se um livro deve ou não ser lido e vendido nas casas espíritas ou se um palestrante deve ou não falar em algumas instituições, tornou-se tarefa impossível. Para cada livro proibido surgem dezenas de conteúdos sobre os mesmos na internet e para cada palestrante classificado como indevido por uma instituição, existem milhões de likes que o recomendam e  o endossam para o mundo.

Hoje em dia, ao invés de nos preocuparmos em fazer o controle de todo conteúdo doutrinário produzido no mundo, precisamos nos ocupar em ensinar os indivíduos a fazer análises críticas do que está sendo produzido e estudado. Obviamente, utilizando como base a codificação e as principais obras espíritas complementares. Esse é o nosso papel.


Nessa nova configuração de relevância e conexão com o público, em especial com as novas gerações, tornou-se mais importante que uma instituição representativa e séria se ocupe em gerar o máximo de conteúdo relevante do que insistir em classificar e validar o que é “puro” e fundamentado do ponto de vista doutrinário.
Disponibilizar todo conteúdo já produzido pela Doutrina Espirita em novos formatos e liderar novas produções de colaboradores independentes é uma tarefa prioritária para as grandes instituições que precisam cuidar para não se tornarem irrelevantes em alguns anos.  
Sabemos que a humanidade nunca foi muito precisa em prever o que aconteceria no futuro. Ao longo da história, sempre falhamos quando tentamos construir essas narrativas. O que leva a crer que essa tarefa é ainda mais desafiadora atualmente, devido à velocidade da transformação digital. De toda forma, imaginar um futuro para a maneira como vamos estudar o Espiritismo em alguns anos, é uma tarefa tentadora, e de certa forma necessária, para um tempo de tantas transformações no mundo.
A abundância de novas informações e a dependência do mundo digital, já é um fato. Nunca tivemos tantos livros, vídeos, podcasts e blogs disponíveis como hoje.
Com tanto conteúdo acessível e uma completa descentralização de influência e análise doutrinária proporcionada pelas novas tecnologias, continuar querendo apontar o que é relevante parece ser uma missão impossível para as lideranças do movimento espírita atual. Por isso, conscientizar os espíritas, em especial os mais jovens, da necessidade da consulta sistemática e recorrente às bases da Doutrina Espírita, é uma tarefa urgente.

No mundo do excesso de informação, a formação é mais poderosa do que a censura.

Por isso, defendo que o caminho é gerar conteúdo bom e relevante para pessoas que tenham a capacidade de analisar qualquer coisa de forma crítica.  Afinal, ensinar a pensar por conta própria é mais poderoso do que vendar os olhos ou tentar diminuir ou ser intolerante com o que é diferente do que acreditamos. Nossos antepassados não foram muito felizes quando seguiram esse caminho no processo de defesa da propagação da primeira e da segunda revelação da lei de Deus.
Muito provavelmente, em um futuro próximo, não estudaremos tão frequentemente a Doutrina por meio de estudos sistematizados com leitura de livros de forma continuada, como é feito por muitas instituições. Acreditamos que é necessário o desenvolvimento de um currículo que abordará todos os pilares do Espiritismo e exigirá uma complementação sociointeracionista.
Certamente, a preparação dos planos de estudo utilizarão artigos científicos, estudos sociológicos e notícias do cotidiano, que serão analisadas junto com as consultas doutrinárias feitas em uma aplicação dotada de inteligência artificial*, instalada em nosso celular.
 Sim, usaremos celulares nas reuniões espíritas e eles não vão atrapalhar a nossa harmonia, porque operam em uma frequência completamente distinta da “banda espiritual”. Não se preocupem.
Aliás, não há mais espaço para avisos que circulam em algumas instituições: “o uso do celular é proibido dentro do centro”. Não estamos falando do futuro. Estamos falando dos tempos atuais. Devemos conviver com a tecnologia e usá-la com bom senso em todas as ocasiões. Isso inclui as casas espíritas e a mesa familiar.

A tecnologia é amiga do homem, mas nem sempre o homem é amigo da tecnologia.

A Inteligência Artificial selecionará os conteúdos mais relevantes produzidos no movimento espírita sobre o tema desejado e indicará outros estudos disponíveis produzidos ao longo da história da humanidade, em todos os campos do conhecimento humano. Exatamente como Kardec fez. Ele teve muito trabalho para fazer essa tarefa. Hoje em dia é bem fácil para nós.
A única coisa que nos impede de seguir o pensamento crítico do codificador é se nos tornarmos obsoletos em nosso próprio tempo, algo que ele jamais se permitiria. Kardec era um homem a frente do seu tempo, analisava os ensinamentos tradicionais, mas olhava para os próximos séculos. Diferente de nós, que de certa forma já vivemos no futuro e algumas vezes nos aprisionamos as formas do passado.
Não estamos falando aqui em coisas que serão possíveis apenas em um futuro distante. Toda essa tecnologia já está disponível para outras frentes de estudos e pesquisa.
Atualmente, temos o Aplicativo Kardecpedia  já aponta o início dessa  inovação na metodologia de estudo e acesso à Doutrina Espírita.
O mais fascinante de todas essas reflexões e hipóteses é saber que, apesar de estarmos caminhando para um futuro que se mostra mais imprevisível do que nunca e de estarmos lidando com tanta disrupção comportamental e tecnológica, já temos algumas certezas. A mais importante delas é que nesse futuro imaginado em nossas previsões, o retorno à sabedoria de Allan Kardec é mandatório para compreender o futuro do estudo do Espiritismo. O codificador nos ensinou a submeter tudo à base da universalidade dos ensinamentos dos espíritos e ao crivo da ciência. Continuaremos fazendo isso e nos apoiando em todos os ensinamentos de sua obra e do seu pensamento crítico.
A integração das obras básicas e sérias da Doutrina Espírita com o conhecimento científico atual e os caminhos de transformação do planeta precisam ser feitas imediatamente. Não é possível estudar e viver as leis naturais olhando apenas para o passado e vivendo como se estivesse no passado. As nossas referências são nossa base, mas a lei de amor está diluída de forma atemporal e a humanidade não precisa se aprisionar para poder seguir em segurança. O “bom senso encarnado” tem muito a nos ensinar sobre isso.
Kardec viveu como um homem que estava além do seu tempo e usava todas as tecnologias e informações disponíveis em sua época para construir e propagar a codificação. Isso me enche de certeza e esperança sobre o futuro da Doutrina Espírita no mundo.
Se Kardec iniciasse hoje a sua obra contaria com um canal no Youtube, dominaria todas as ferramentas de divulgação digital, usaria as redes sociais com sabedoria e certamente publicaria a codificação em formato digital, antes mesmo de disponibilizá-la em papel. Tenho certeza que ele faria palestras e pesquisas “antenadas” com as tendências do mundo, focadas na compreensão do mundo do agora e na relação do conhecimento atual com os ensinamentos dos espíritos. Arrisco a dizer que ele iria além: submeteria aos espíritos todos os conceitos de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade da atualidade.
Se o codificador estivesse encarnado, não pediria para ninguém desligar o celular ao longo de um estudo doutrinário. Ele recomendaria essa ferramenta para que todos pudessem ir mais longe a suas pesquisas e contribuições. Tudo com bom senso, claro. Como ele sempre fez.
Como eu consigo fazer essa cogitação? A resposta é muito simples. Basta estudar a codificação e as edições da Revista Espírita para saber que ele era completamente envolvido com todas as novidades científicas da época. Por que seria diferente hoje?
O que nos faz crer que devemos continuar estudando, divulgando e publicando o Espiritismo como se vivêssemos no século passado?
Para fazer a Doutrina Espírita alcançar o seu papel na transformação do nosso mundo, se faz necessário que nos libertemos da ficção de pensar nela de forma estática.
Apesar de sermos adeptos de uma Doutrina do século XIX, estudada em instituições que se formaram no século XX, somos pessoas que vivem e estudam no século XXI.  Não podemos ignorar isso sob a pena de sacrificarmos a nossa tarefa de edificadores da regeneração.
Obviamente isso cria um novo desafio no formato pedagógico e na dinâmica de convivência no movimento espírita. Mas temos que enfrentar os nossos desafios sem medo.
O codificador nos alertou que a Doutrina sempre acompanharia a ciência. Por isso, precisamos refletir sobre a manutenção de algumas práticas de estudo e divulgação que mantemos desde o século passado.
A pedagogia atual está fazendo um esforço enorme para se adequar à essa nova realidade. Precisamos segui-la imediatamente. A educação é a força mais poderosa para a transformação do mundo. Certamente estamos todos de acordo que vivemos em uma grande escola na qual o Espiritismo tem a missão de educar almas na função do cristianismo redivivo.
O mundo da educação tem debatido exaustivamente para encontrar o modelo de escola e consumo de conteúdo para o nosso tempo. Por toda parte surgem novas Startups, que são empresas inovadoras e disruptivas*, com a missão de encontrar o formato ideal de educação do século XXI e romper com o modelo tradicional que parece não atender mais as necessidades das novas gerações.
Por que também não montamos startups vinculadas às federativas para estudar e apontar novas práticas de estudos alinhadas com o que os estudiosos chamam de habilidades do século XXI? Seria uma iniciativa importante para o futuro da humanidade. Esses núcleos poderiam ter a função de atualizar e testar modelos e práticas para nós.
Que tal incluir a tecnologia no processo de aperfeiçoamento dos nossos atendimentos fraternos? Podemos utilizar de dados e informações para orientar um acompanhamento mais assertivo.
Os espíritos amigos continuarão nos intuindo e influenciando, mas eu tenho certeza que vão ficar muito felizes em constatar que já temos dados e análises suficientes para auxiliá-los nessa tarefa. Eu já tenho um estudo sobre isso que apresentarei aqui no blog da editora Intelítera em breve.
De toda forma, não importa o que acontecerá no mundo nos próximos tempos. A Doutrina Espírita e sua base inabalável, ditada pelos espíritos superiores que enxergavam muito além do nosso tempo, permanecerão iluminando todos os campos do conhecimento humano. Quem leu a codificação antes dos anos 90 e releu recentemente, sabe exatamente sobre o que estou falando. A cada tempo que passa, entendemos com mais clareza as mensagens deixadas pelos espíritos para nos explicar as leis universais e suas aplicações atemporais. Também somos surpreendidos em constatar como a nossa compreensão ainda é limitada devido ao nosso acesso científico restrito.
A Codificação Espírita é o “spoiler” de todo conhecimento humano dos próximos séculos. Sem sombra de dúvidas.
A aliança da ciência e da religião já está se dando no campo dos estudos psicológicos modernos e em breve se dará em outros campos do conhecimento humano.
Sinto uma profunda alegria em olhar para frente e ter certeza que Allan Kardec foi atual ontem, ainda o é hoje e continuará sendo amanhã. Sua obra será sempre a nossa base e fortaleza para construção da Nova Era da humanidade.
Façamos como o nosso codificador, usemos a tecnologia de nosso tempo para estudar, compreender e divulgar a nossa Doutrina maravilhosa.

Jaime Ribeiro







Siga Jaime Ribeiro nas redes sociais:

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Jesus está nos chamando | Bezerra de Menezes por José Carlos De Lucca



Não fechemos os olhos para a dor que campeia além do conforto do nosso lar. Enquanto nossos filhos desfrutam de alimentação farta e equilibrada de nutrientes necessários ao seu desenvolvimento sadio, muitas outras crianças sem teto e sem família buscam saciar a fome revirando as latas do lixo. 

Enquanto nos defendemos do frio utilizando roupas acolchoadas e cobertores que nos protegem das baixas temperaturas, muitos irmãos que vivem nas ruas em condições precárias tentam se esconder do frio em tetos improvisados e vestindo farrapos encontrados no lixo. 

Enquanto dispomos de assistência médica e medicação variada para as enfermidades que nos agridem, milhares de pessoas não dispõem sequer de um simples analgésico que lhes alivie uma dor qualquer.

Filhos, o sofrimento que grita lá fora é um veemente chamado de Jesus para que o nosso coração se expanda em amor além dos estreitos limites da nossa família biológica, porquanto, em última razão, pertencemos todos à grande família de Deus, e por isso mesmo devemos nos amar uns aos outros como Jesus nos ama.

Ninguém poderá dizer que nada tem a ver com o sofrimento dos outros. Ora, filhos, isso é muito fácil de dizer quando o sofrimento não é nosso. Pensemos quando for a nossa hora de padecimentos, e vejamos como gostaríamos de ser amparados por mãos amigas e benfeitoras. Façamos ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem, esse é o mandamento divino que, uma vez seguido, equacionará todos os nossos problemas.


Capítulo do livro "Recados do meu Coração".

Recados do meu Coração por José Carlos De Lucca

Clique na imagem para saber mais.




 Siga o autor nas redes sociais

 

 Siga Intelítera Editora nas redes sociais: