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terça-feira, 19 de maio de 2015

O autor Valter dos Santos é destaque na Revista Cristã de Espiritismo



Valter dos Santos, jovem escritor brasileiro que fez sucesso nos EUA e na Inglaterra com seu primeiro romance espírita, fala sobre as dificuldades que passou após o desencarne de sua mãe, durante a infância, e de seu novo livro – Borboletas no jardim – publicado pela Intelítera Editora.  

Você foi entrevistado no dia 1º de Janeiro deste ano por Ana Maria Braga, no programa Mais Você da Rede Globo e, em sua entrevista, você contou sobre a desencarnação de sua mãe. Qual era a sua idade quando ela desencarnou?
Valter dos Santos: Eu tinha apenas oito anos de idade quando ela desencarnou. Minha mãe era jovem, tinha apenas trinta anos e era também muito saudável e pegou todos nós de surpresa. Ficamos eu, meu pai, que estava no último ano da faculdade de direito, e minha irmã, na época com cinco anos de idade.

E como ficou a sua vida e da sua família após a desencarnação dela?
Nossa vida mudou totalmente. Fomos dormir no domingo à noite como uma família unida e feliz e acordamos na segunda-feira pela manhã com a notícia de que mamãe estava em coma no hospital. Meu pai chegou contando que no meio da noite ela levantou da cama sentindo uma dor de cabeça muito forte. Ela foi ao chão e em seguida socorrida pelo meu pai. Foi então descoberto que ela tinha um aneurisma que acabou se rompendo naquela noite. Ela desencarnou após ficar quatro dias em coma. Foi tudo muito rápido, muito brusco.
Com apenas oito anos de idade, eu me vi tendo que cuidar da casa. Ajudava meu pai nas compras, ia ao banco pagar contas e também cuidava de minha irmãzinha. Levava-a à escola e cheguei a frequentar reuniões de pais e mestres. Acabei por tomar as rédeas da situação e cuidar da família.

Você conta na entrevista que recebeu ajuda espiritual de sua mãe, já desencarnada, e do seu avô. Como foram estas experiências?
Tive uma infância dura, sem muitas alegrias. Embora meu pai, minha irmã e eu fôssemos unidos e nos amássemos muito, era como se essa nuvem de tristeza devido à perda da minha mãe pairasse sempre pelo ar. Eu sufoquei meus sentimentos, por muitos anos, pois pensava que não tinha o direito de me sentir triste. Não podia expressar minha tristeza, pois entristeceria meu pai e minha irmã ainda mais.
Meu pai casou-se novamente e foi, então, que, no final da adolescência, toda essa tristeza acumulada durante anos, veio à tona e eu caí em uma forte depressão.  Não queria mais sair de casa, não queria ver ninguém. Perdi a fé em Deus e só conseguia pensar em pôr fim à minha vida. Tentei suicídio várias vezes. Algumas vezes minha família presenciou e me socorreu e outras tentativas foram feitas sem que ninguém ficasse sabendo.
Foi então que eu fiz um plano infalível para me suicidar. Planejei tudo com muito cuidado e, foi na tarde de um sábado de Carnaval, que eu coloquei meu plano em prática. Minha família tinha viajado e só voltaria no final do feriado. Assim que vi o carro partir, eu tomei duas garrafas de bebida alcoólica e muitos comprimidos de barbitúricos. Eu entrei em coma e fiquei desacordado por vários dias. Quando acordei, no final da terça-feira de Carnaval, eu estava na cama do meu pai. Ouvi a voz da minha mãe e de um outro homem. Quando minha visão melhorou, eu vi então minha mãe e meu avô, Benedito, que desencarnou no ano que eu nasci.  Eles brilhavam muito. Tinham muita luz. Recordo-me claramente quando minha mãe disse a ele: “Ele já está bem. Podemos ir.” Eu, então, lembrei que minha mãe e meu avô, em espírito, estiveram ao meu lado durante todos aqueles dias em que fiquei desacordado. Eles cuidaram de mim.
Quando eles se foram, eu imediatamente levantei da cama e me ajoelhei no chão. Chorando, eu agradeci a Deus por ter me dado aquele presente. Pedi perdão a Deus por aquele ato que cometi contra o presente que me foi dado, o presente da vida.

Você está curado da depressão?
Sim. Desde aquela noite, em que vi o espírito de minha mãe e de meu avô, posso dizer que fui curado. Nunca mais tive um momento de desespero em minha vida. Estou livre da depressão há mais de treze anos.

E como foi que nasceu a história de escrever livros?
Eu sempre quis ser um escritor. Na infância lembro que todas as minhas redações eram lidas pelas professoras em voz alta para toda a classe e isso me deixava muito feliz. Meus colegas de turma esperavam ansiosos para escutarem as minhas histórias. Escrevi algumas peças teatrais na adolescência e contos, mas parei com a escrita quando mudei para Londres. Aqui, o começo de vida é muito difícil, requer muito trabalho e, por isso, não encontrava tempo para escrever.
Foi, então, que uma amiga inglesa perdeu sua mãe, vítima de câncer. Ela ficou inconsolada. Muito triste e deprimida, pois eram muito amigas. Eu quis muito ajudá-la e explicar a ela mais sobre o Espiritismo. Ensiná-la que a vida nunca acaba. 
Foi então que um dia me sentei na cafeteria ao lado do apartamento onde moro e abri meu laptop. Em vez de entrar na internet, como é habitual, eu abri o Word e comecei a escrever. Escrevi por mais de uma hora, sem parar. Depois de muito escrever, me dei conta de que tinha escrito o primeiro capítulo de um livro. Eu me dediquei a escrever aquele livro, em inglês, para mostrar a ela, através de um romance espírita, que nós não morremos.
Aconteceu que eu acabei por publicar aquele livro nos Estados Unidos e na Inglaterra e ele chegou a primeiro lugar em vendas em ambos países.

Você está lançando o seu segundo livro, o romance Borboletas no jardim, fale um pouco sobre ele.
Meu primeiro romance tinha acabado de ser publicado quando desembarquei em Miami para passar as férias. Ainda estava sob efeito da alegria de ter publicado o livro na Europa e nos Estados Unidos. É o tipo de entusiasmo que nos faz sentir como se fôssemos crianças novamente.
No dia seguinte, estava à beira da piscina quando meus amigos da Inglaterra me mandaram uma mensagem de texto pelo celular. Era para dizer que meu primeiro romance estava em primeiro lugar na lista de best-sellers do site de compras e vendas norte-americano Amazon. Não consegui acreditar. Fiquei muito feliz e também grato a Deus por aquela conquista.
No mesmo instante, me ajoelhei, fechei os olhos e agradeci a Deus por aquela bênção. E pensei: “Senhor, se é de sua vontade que eu escreva outro romance, peço que me envie inspiração”.
E não podia ter recebido mensagem mais direta de Deus. Naquela noite, quando me deitei para dormir, tive a sensação de voltar no tempo, mais precisamente para o século XV.

Você então teve uma visão da vida passada de alguns personagens do livro, correto?
Sim. Assim que me deitei na cama, eu vi uma imagem. Eram duas mulheres cavalgando rápido, fugindo de alguém ou de alguma coisa. Senti que estavam com muito medo. Logo atrás vinham homens, também cavalgando com rapidez, que logo as alcançaram, capturaram e torturaram de maneira horrível, como descrevo mais adiante.
Quando a visão terminou, eu estava sentado na cama, ensopado de suor. Senti na pele o medo e o desespero daquelas mulheres e todos os detalhes da cena, até mesmo o vento que soprava entre as árvores. Era a inspiração que eu havia pedido. Durante os dias que estive em Miami, deparei com cavalos por toda parte: em propagandas de revistas, lojas de decoração e até camisetas de pessoas na rua. Não tive dúvida: meu novo romance teria que contar a história sobre as duas mulheres daquela visão.

Assim como você, uma das personagens principais da história também perde a mãe quando pequena.
Exatamente. A pequena Katie perde a mãe com apenas cinco anos de idade. Pensei muito na minha irmã Luciana enquanto escrevia a história de Katie. Qual a dor de uma criança de apenas cinco anos de idade ao perder a mãe? Tive que viajar muito no meu passado e no pasado da minha irmã para contar a história da pequena Katie.

Como foi ter que reviver estas dores de sua infância para poder escrever o livro?
A verdade é que não foi fácil. A Katie passa por muitos momentos difíceis na história, momentos que são muito pessoais para mim. Muitos momentos pelos quais ela passa no livro, eu e minha irmã de alguma forma também passamos. Muitas vezes, a emoção era tanta ao escrever, que lágrimas escorriam de meus olhos sem parar.

Existem outros temas muito pessoais a você no livro, correto?
Sim. Além da perda de uma mãe vivenciada por uma criança, eu também falo de uma outra personagem, a jovem Rebecca, que sofre de depressão e vivencia um problema muito triste, porém cada vez mais comum: a automutilação.
A Rebecca é uma jovem sem autoestima nenhuma. Sem amor próprio e sem vontade de viver, ela comete em várias experiências de vida a automutilação. Com essa personagem, eu tenho a oportunidade de falar com os jovens, explicar um pouco sobre a depressão, suas causas e suas consequências, tanto no plano material quanto no plano espiritual.
Todos os personagens têm um pouco do autor - ou o autor tem um pouco de seus personagens. Só sei que em Borboletas no jardim existem muitas histórias pessoais que decidi narrar e dividir com os leitores como forma de alerta e também aprendizado e ensinamento.

No livro fica claro que as borboletas são enviadas pela mãe de Katie para que ela se alegre e sinta que está sendo cuidada. Quem são as suas borboletas, ou melhor, quem foram as suas borboletas?
Eu, graças a Deus, tive muitas borboletas em minha vida. Tive amigos maravilhosos que são como família para mim. Porém, eu digo que uma das maiores e mais bonitas borboletas em minha vida é a minha irmãzinha caçula, filha do segundo casamento de meu pai. Mariane chegou em nossas vidas em um momento de muita tristeza. Eu estava no auge da minha depressão. Nossa família estava conturbada. Lembro que no caminho de casa ao trabalho, eu parava e ia até a igreja Católica de São Luiz Gonzaga, ali na Avenida Paulista, em São Paulo, e pedia a Deus que me enviasse uma irmãzinha. Eu imaginava que quando ela chegasse, nossas vidas melhorariam. Sabia que ela traria paz e harmonia a nossa casa.  Orei e pedi por ela por muitos meses. Logo veio a notícia de que minha madrasta estava grávida e, nove meses depois, ela nasceu, igualzinha à que eu tinha sonhado e muitas vezes imaginado. Mariane trouxe consigo a paz e o brilho que faltava em nossas vidas. Ela é, sem dúvida nenhuma, uma das mais lindas borboletas em minha vida.


Entrevista publicada na Revista Cristã de Espiritismo, edição 138.
Adquira já nas bancas ou pelo site: http://goo.gl/2h9NhP

Um comentário:

  1. Bom dia! Após sonhar com minha mãe,que faleceu ano passado, escutei da boca dela o nome " valter", fui pesquisar e achei você. Incrível o acontecimento, foi o câncer que a levou eu de três filho fui o mais forte. Sou Rafael Farias de Gravataí RS.
    Grande abraço.

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